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Mulheres são as que mais impulsionar outras carreiras femininas

(via Agência Brasil)

| Edição de 05 de março de 2026 | Atualizado em 05 de março de 2026

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Uma pesquisa inédita da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group revelou que as mulheres são as principais responsáveis por promover o crescimento profissional de outras mulheres. Segundo o levantamento, 41% das entrevistadas afirmaram que receberam ajuda preferencialmente feminina para avançar em suas carreiras.

O estudo entrevistou 1.534 mulheres em cargos de liderança em todo o Brasil. Apenas 14% delas relataram ter recebido apoio principalmente de homens ao longo de suas trajetórias profissionais.

Já 29% das entrevistadas disseram ter recebido ajuda tanto de homens quanto de mulheres. Outras 13% afirmaram não ter recebido apoio significativo em suas carreiras, e apenas 3% não souberam identificar se foram apoiadas por homens ou mulheres.

A percepção de apoio varia conforme a faixa etária e a área de atuação. Entre as mulheres de 25 a 40 anos, 48% acreditam que suas carreiras foram impulsionadas por outras mulheres. Esse percentual é ainda maior nas áreas de marketing, publicidade e comunicação (56%) e educação e treinamento corporativo (53%).

Por outro lado, entre as que receberam apoio principalmente de homens, os percentuais são mais elevados entre aquelas em cargos de presidente, vice-presidente, CEO ou sócia (20%) e diretora ou líder de área (18%). Além disso, essa percepção é mais comum entre as mulheres de 41 a 59 anos (18%).

"Não adianta nós mulheres estarmos preparadas, se você não tem uma rede e uma aliança robusta por trás de você que a ajude a crescer", destaca Simone Murata, CEO da Todas Group.

Simone lidera uma organização que oferece consultoria para empresas interessadas em promover lideranças femininas. Ela ressalta a importância do papel feminino na ascensão de outras mulheres.

"Quando uma cresce, todas crescem. Essa é a força da mulher. A partir do momento em que você está em uma situação privilegiada, você ajuda essa mulher a ascender. O primeiro achado nessa pesquisa é sobre isso", pontua.

Renúncias

A pesquisa também investigou as principais renúncias que as mulheres fazem para crescer profissionalmente. Entre as entrevistadas, 74% precisaram abrir mão do autocuidado, que inclui saúde física e hobbies.

Outras áreas da vida sacrificadas em nome da carreira foram o tempo com a família (53%) e a saúde mental (53%). A renúncia ao lazer foi mencionada por 37%, e a maternidade ou o desejo de ter filhos por uma em cada quatro entrevistadas.

"Quando a gente se coloca nessa lista de prioridades, fica lá embaixo. Eu [mulher] não abro mão dos meus filhos, não abro mão de entregas do meu trabalho, não abro mão de cuidar dos meus amigos", analisa Simone.

Dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos relacionados à Síndrome de Burnout aumentaram 54% entre as mulheres em 2023 no Sistema Único de Saúde (SUS), superando os casos entre homens.

Mudanças no mercado

A percepção das renúncias ao longo da carreira também varia conforme a faixa etária. Entre as mais jovens (18 a 24 anos), as maiores perdas foram na vida social e no lazer (50%) e em relacionamentos afetivos (32%). Entre as mulheres de 25 a 40 anos, a maioria destacou a renúncia à saúde mental (58%). Já entre as mais velhas, o tempo com a família foi o maior sacrifício, apontado por 60%.

Simone avalia que as diferentes percepções para cada faixa etária estão relacionadas às mudanças no mercado de trabalho e ao crescimento da participação feminina em cargos de liderança.

"Há 20 anos, se exigia ainda mais da mulher, ela tinha que se provar muito mais. As concessões que essa mulher, que hoje tem 50 anos, teve que fazer, são superiores às dessa geração que está entrando agora", afirma.

Ela acredita que, à medida que as mulheres avançam, há menos necessidade de "se provar o tempo inteiro".

"A ascensão feminina precisa ser equilibrada para que o trabalho seja sempre o nosso motor de prazer", acredita.

Impulso

Denise Hamano, 43 anos, trabalhou por mais de 15 anos na área de tecnologia, historicamente dominada por homens. Há seis anos, ela é uma das líderes femininas da rede de varejo Magalu. Junto com a presidente do Conselho de Administração da companhia, Luiza Helena Trajano, criou uma comunidade de mulheres de negócio dentro do grupo.

A comunidade reúne mais de 3 mil mulheres empreendedoras, lojistas da Magalu, que se apoiam para impulsionar seus respectivos negócios.

"Elas estão ali dando dicas uma para outra de como vender mais o seu produto. Temos um programa de mentoria dentro da comunidade, em que as próprias integrantes se inscrevem para serem mentoras ou mentoradas. Totalmente de graça", explica.

Uma pesquisa entre as participantes do grupo, que comercializavam dentro do Magalu Marketplace, revelou que a principal dificuldade apontada por elas para o crescimento do negócio foi a tripla jornada de trabalho.

"A gente fez vários grupos focais, com vendedoras do Brasil inteiro, e a maior dificuldade que tinham no dia a dia era dar conta da casa, do negócio, dos filhos, ou cuidar de algum parente", conta. Nesse contexto, o descanso, o autocuidado ou mesmo o aperfeiçoamento profissional ficam relegados.



Com informações da Agência Brasil