ECONOMIA

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Número de pessoas em busca de emprego cai 21% no segundo trimestre

(via Agência Brasil)

| Edição de 15 de agosto de 2025 | Atualizado em 15 de agosto de 2025

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O Brasil registrou, no segundo trimestre de 2025, o menor número de pessoas desempregadas há mais de um ano desde o início da série histórica. Esse marco foi revelado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Trimestral, divulgada na sexta-feira (15).

Durante os meses de abril, maio e junho, o número de trabalhadores em busca de emprego foi de 1,913 milhão, o menor desde 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série de dados.

O dado representa uma redução de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o número de desempregados somava 2,4 milhões de pessoas.

A pesquisa do IBGE analisa o comportamento do mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação, como empregos com ou sem carteira assinada, temporários e por conta própria. Apenas são consideradas desocupadas as pessoas que efetivamente procuram emprego. O IBGE realiza visitas a 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Tempos de procura

Os pesquisadores detalham quatro estratos de tempo em busca de trabalho. Em todas as faixas, houve redução em relação ao mesmo trimestre de 2024:

  • menos de um mês: -16,7%;
  • de um mês a menos de um ano: -10,7%;
  • de um a menos de dois anos: -16,6%; 
  • dois anos ou mais: - 23,6%.

No grupo que busca uma vaga de um mês a menos de um ano, o contingente de 3,2 milhões também é o menor já registrado desde 2012, com uma queda de 18,5% desde então.

No estrato de um ano a menos de dois, os 659 mil desocupados também representam o menor contingente da série, com uma queda de 34,8% em relação a 2012.

O analista da pesquisa, William Kratochwill, observa que há uma tendência de queda no percentual de pessoas em busca prolongada por ocupação.

“O mercado está gerando oportunidades que estão absorvendo muitas pessoas, inclusive aquelas que tinham mais dificuldade de encontrar um posto de trabalho”, afirma.

Mercado aquecido e recordes

No último dia 31, o IBGE anunciou que a taxa de desemprego no país no segundo trimestre ficou em 5,8%, a menor da série histórica. A Pnad mensal também registrou recordes no emprego com carteira assinada (39 milhões de pessoas) e no rendimento médio mensal do trabalhador (R$ 3.477).

A Pnad trimestral desta sexta-feira traz detalhes sobre as unidades da federação e o perfil da população. A pesquisa apontou que, no segundo trimestre, o desemprego caiu em 18 das 27 unidades da federação, em comparação com o primeiro trimestre. Nos estados, a taxa varia de 2,2% (Santa Catarina) a 10,4% (Pernambuco).

Outro dado de destaque é que 12 estados atingiram o menor nível de desemprego para um segundo trimestre em toda a série histórica: Amapá (6,9%), Rio Grande do Norte (7,5%), Paraíba (7%), Alagoas (7,5%), Sergipe (8,1%), Bahia (9,1%), Minas Gerais (4%), Espírito Santo (3,1%), São Paulo (5,1%), Santa Catarina (2,2%), Rio Grande do Sul (4,3%) e Mato Grosso do Sul (2,9%).

Kratochwill avalia que o ano de 2025 tem se mostrado diferente dos anteriores, quando o desemprego costuma subir no início do ano, devido à dispensa dos contratados temporários do fim do ano anterior.

“Este ano, o primeiro trimestre mostrou que o mercado estava disposto a absorver grande parte dessa mão de obra temporária”, afirma.

“O mercado de trabalho está resistente a pioras, e os dados do segundo trimestre confirmam isso”, completa.

O pesquisador acrescenta que a dinâmica de emprego fortalecida causa outros efeitos na economia, como redução da informalidade (proporção de pessoas sem registro e garantias trabalhistas, 37,8% da população ocupada), aumento de postos com carteira assinada e do salário.

“Isso traz um certo vigor para o mercado de trabalho, que apresenta melhora de condições dos trabalhadores”.

Ele aponta ainda que os dados regionais mostram que essa melhora é regionalizada no país. “Muitos estados apresentaram reações muito positivas, acompanhando os dados do país”.

Perfil do trabalhador

A Pnad revelou que no segundo trimestre, o desemprego pesava mais para mulheres e pretos e pardos.

A taxa entre mulheres foi de 6,9%, enquanto a dos homens, 4,8%. Entre os brancos, a taxa também foi de 4,8%, abaixo da de pretos (7%) e pardos (6,4%).

A taxa para as pessoas com ensino médio incompleto (9,4%) foi maior que as dos demais níveis de instrução analisados. Entre quem tem nível superior incompleto, foi de 5,9%, quase o dobro de quem tem nível superior completo (3,2%).

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Com informações da Agência Brasil