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O que se sabe sobre venda do TikTok para Oracle, nos EUA

(via Agência Brasil)

| Edição de 20 de janeiro de 2026 | Atualizado em 20 de janeiro de 2026
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A venda da operação do TikTok nos Estados Unidos, controlada pela ByteDance, está prestes a ser concluída, marcando um dos maiores negócios da empresa chinesa. A transação ocorre sob pressão do governo americano, que busca manter o controle de dados e segurança nacional, um tema que remonta ao governo Trump e continua relevante em sua campanha atual. O governo chinês, por sua vez, vê o negócio como uma forma de preservar as relações comerciais.

Na prática, o controle dos dados dos usuários americanos passará para empresas alinhadas com o governo Trump, como o fundo MGX, dos Emirados Árabes, e a Oracle, que gerenciará o armazenamento de dados. A operação está avaliada em US$ 14 bilhões, segundo o vice-presidente dos EUA, James Vance. O TikTok, com cerca de 170 milhões de usuários, é a quarta maior plataforma do país.

Andressa Michelotti, especialista em regulação e desinformação, destaca o paradoxo do movimento americano, que ao mesmo tempo em que prega o neoliberalismo, utiliza a segurança nacional para justificar o controle dos dados. Isso afeta o livre mercado e a liberdade de expressão, já que houve ameaças de fechamento da plataforma.

O controle da Oracle no negócio será liderado por Larry Ellison, conhecido por sua proximidade com governantes, como Trump, que também se cercou de outros empresários influentes, como Mark Zuckerberg e Elon Musk.

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Impactos na Plataforma

Há especulações sobre mudanças não apenas nos servidores, mas no próprio aplicativo, o que pode alterar sua estrutura, aparência e funcionalidades. Assim como a aquisição do Twitter por Musk, há incertezas sobre o futuro da plataforma.

Andressa Michelotti questiona como será a separação do TikTok nos EUA e se haverá uma nacionalização da plataforma ou se ela manterá alguma conexão com suas operações internacionais. A transição de dados entre diferentes regiões, como Europa e América Latina, também é uma questão em aberto.

A especialista pondera que o TikTok pode se tornar uma empresa diferente, menos atraente, ou adotar um design mais alinhado com outras plataformas americanas, influenciando o design e a arquitetura de outras redes sociais. A resposta dependerá de como a nova empresa lidará com a transparência.

Operações no Brasil

De acordo com a ByteDance, a mudança nos EUA não afetará as operações em outros países, incluindo o Brasil. A empresa afirma que a nova Joint Venture é específica para os Estados Unidos e não impacta a experiência no Brasil.

Rafael Evangelista, professor da Unicamp, ressalta que a venda forçada nos EUA não deve ser vista como um modelo para o Brasil, mas traz lições importantes para o debate regulatório e de governança da internet. Ele destaca que plataformas digitais são centrais na mediação do debate público e não devem operar apenas sob a lógica de mercado.

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Câmara dos EUA aprova projeto de lei para forçar ByteDance a vender TikTok ou sofrer proibição. Foto: Solen Feyissa/Flickr - Solen Feyissa/Flickr

Expansão no Brasil

No Brasil, a ByteDance está expandindo sua infraestrutura local com a construção de um novo data center em Caucaia, Ceará, que será o maior da América Latina. O projeto, desenvolvido pela OMNIA, do Grupo Pátria, terá 200 Megawatts dedicados a processamento e será alimentado por energia solar e eólica.

O setor aguarda a votação do Projeto de Lei de Concorrência Digital, que dará ao Cade a capacidade de mediar negócios digitais, criando uma Superintendência de Mercados Digitais. No ano passado, o Congresso aprovou a Lei 15.211/2025, que regula como as plataformas devem lidar com informações de crianças nas redes sociais.



Com informações da Agência Brasil