ECONOMIA

min de leitura

Orientação era investigar qualquer um, “sem pirotecnia, diz Galípolo

(via Agência Brasil)

| Edição de 08 de abril de 2026 | Atualizado em 08 de abril de 2026

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, revelou nesta quarta-feira (8) que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lhe deu instruções para agir de maneira técnica e sem exageros no caso do Banco Master.

“Recebi uma orientação: ‘Seja técnico, pois você tem toda autonomia para perseguir e investigar seja quem for, sem fazer pirotecnia’. A orientação sempre foi esta”, afirmou Galípolo durante seu depoimento na reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.

Galípolo confirmou aos parlamentares que, em dezembro de 2024, pouco antes de assumir o comando do BC, foi chamado para uma reunião no Palácio do Planalto para discutir a situação do Banco Master, que já enfrentava problemas de liquidez e dificuldades para captar recursos com garantia do FGC.

Reunião no Palácio do Planalto

Além do banqueiro Daniel Vorcaro, participaram do encontro o ex-sócio do Master e controlador do Banco Pleno, Augusto Lima; os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia); o economista Guido Mantega e o próprio presidente Lula.

“Quando cheguei, o tema [da conversa] seguia uma narrativa que estava bastante disseminada e que acho que foi predominante durante boa parte do ano [passado]”, detalhou Galípolo, destacando que, na ocasião, quem mais falou foi Vorcaro. O banqueiro insistia na tese de que o Master vinha enfrentando a resistência de outras instituições financeiras por incomodar instituições concorrentes.

Resistência do Mercado

“Os acionistas do Master [Vorcaro e Lima] relatavam que estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro e que a dificuldade deles captarem [recursos] se devia ao fato de estarem gerando concorrência. Algo não muito aderente, dado que o banco não tinha tamanho para isto [incomodar]”, continuou Galípolo, minimizando a tese de perseguição apresentada pelos executivos.

De acordo com o presidente do BC, após ouvir os acionistas do Master, Lula foi evasivo. “A resposta que o presidente deu foi mais ou menos assim: ‘Olha, este é o Galípolo. Ele vai assumir [o BC] daqui a um mês. Este é um tema que não cabe à Presidência da República. Cabe ao Banco Central, onde tenho certeza de que você vai ser tratado de maneira técnica".

Decisão do Banco Central

Galípolo afirmou que, após esta ocasião, não retornou ao Palácio do Planalto para discutir o tema, que assegurou jamais ter tratado com o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ou com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Segundo Galípolo, no dia em que a decisão foi anunciada, o Master tinha em caixa apenas 10% do valor de que precisava para pagar os CDBs que estavam vencendo na mesma data.

Crescimento e Queda do Banco Master

Controlado por Vorcaro, o Master cresceu rapidamente ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, segundo investigadores, o banco passou a assumir riscos excessivos e a estruturar operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real (dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores) se deteriorava.

?

Com informações da Agência Brasil