ECONOMIA

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Plataforma cruza dados para rastrear cadeias de commodities

(via Agência Brasil)

| Edição de 27 de abril de 2026 | Atualizado em 27 de abril de 2026

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Começou a operar nesta segunda-feira (27) a plataforma digital do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), que se propõe a reunir e cruzar dados socioambientais de diversas fontes, com recortes municipal e estadual. A ferramenta tem como objetivo identificar os impactos locais associados à produção de commodities.

A Plataforma Socioambiental é uma iniciativa que visa viabilizar a rastreabilidade das cadeias de commodities, em especial no que se refere ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Este regulamento proíbe a importação, no bloco europeu, de produtos oriundos de áreas desmatadas. A expectativa é que o EUDR ganhe relevância nos próximos anos, especialmente com a aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia.

As cadeias de produtos monitoradas pela plataforma incluem soja, café, cacau, palma, borracha e produtos de origem bovina.

De acordo com o instituto, a ferramenta auxiliará empresas que buscam atender às demandas por consumo consciente, onde os consumidores preferem produtos que não prejudiquem comunidades locais ou o meio ambiente.

A plataforma pode ser utilizada por empresas estrangeiras, governos locais, empresários e pelo poder público, promovendo transparência no campo, incentivando o consumo consciente e contribuindo para a formulação de políticas públicas mais eficientes.

Disponível no site do instituto, a ferramenta é baseada em bancos de dados de 15 entidades nacionais e estrangeiras das áreas de direitos humanos, meio ambiente e sociedade civil. As informações abrangem o período a partir de 2002 e poderão ser atualizadas anualmente, segundo o ISPN. Há também a expectativa de incorporação gradual de novas bases de dados.

Cruzamento de dados

Os cruzamentos permitem análises específicas sobre disputas por água e terra, bem como sobre ocorrências de trabalho escravo, violência, contaminação ambiental e uso de recursos hídricos.

A base de conflitos sociais é fornecida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Segundo o instituto, análises preliminares mostram que poucos municípios brasileiros não registram conflitos, e que violações de direitos humanos ocorrem em praticamente todo o país.

Os cruzamentos de dados indicam, ainda, que desmatamento e produção de commodities frequentemente caminham juntos, associados a conflitos por terra, água e diferentes formas de violência. Mostra também que, em áreas com mineração, é comum a ocorrência de conflitos por água.

A ferramenta possibilita também identificar alguns tipos de irregularidades fundiárias, como a chamada grilagem verde, quando áreas conservadas ocupadas por comunidades tradicionais são declaradas como reserva legal de grandes propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é declaratório.

A ferramenta será apresentada no dia 28 de abril a representantes das embaixadas de França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Dinamarca, em encontro presencial. Outros países participarão de forma remota.

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Com informações da Agência Brasil