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Receita prevê arrecadar R$ 200 bi com modelo de cobrança amigável

(via Agência Brasil)

| Edição de 22 de janeiro de 2026 | Atualizado em 22 de janeiro de 2026

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A Receita Federal projeta uma arrecadação de R$ 200 bilhões para este ano, apostando em um modelo de "cobrança amigável". Essa estratégia, que combina a autorregularização de inadimplentes ocasionais com um rigor maior para devedores contumazes, levou o Fisco a alcançar um recorde histórico de arrecadação em 2025.

Durante a apresentação dos números de arrecadação de 2025, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou que essa iniciativa representa uma mudança definitiva na atuação do órgão.

"O ano de 2026 será um marco de mudança de paradigma e postura da Receita Federal, que deixará de ser um Fisco reativo e repressor para se tornar uma instituição que antecipa problemas, orienta os contribuintes e evita litígios", explicou.

A nova estratégia prioriza o diálogo, a orientação e um tratamento diferenciado conforme o perfil do contribuinte, com um foco mais rigoroso nos devedores contumazes. Segundo Barreirinhas, o objetivo é aumentar a arrecadação sem recorrer a disputas judiciais prolongadas.

"A cobrança amigável ocorre após a inadimplência inicial, mas antes do litígio, interrompendo esse processo", afirmou o secretário da Receita.

Anteriormente uma diretriz da Receita, a cobrança amigável foi incorporada à Lei Complementar 225, sancionada recentemente.

Em fevereiro de 2024, o governo enviou ao Congresso um projeto para beneficiar bons contribuintes. No entanto, o Congresso aprovou em dezembro um projeto de lei complementar, de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que instituiu a cobrança amigável e o combate aos devedores contumazes no Código de Defesa do Contribuinte.

Estratégia

O modelo se apoia em cinco pilares:

  • Orientação como regra para prevenir irregularidades;
  • Ausência de multas para bons pagadores;
  • Autorregularização para contribuintes adimplentes ou ocasionais;
  • Penalidades menores para contribuintes médios;
  • Atuação rigorosa contra devedores contumazes e crimes tributários.

Arrecadação com cobrança amigável

  • 2022: R$ 130,5 bilhões;
  • 2023: R$ 146,6 bilhões;
  • 2024: R$ 171,2 bilhões;
  • 2025: R$ 177,5 bilhões.

A expectativa do Fisco é consolidar as novas diretrizes e alcançar R$ 200 bilhões este ano com a cobrança amigável.

Devedores contumazes

Para os maus pagadores, a Receita pretende intensificar a fiscalização dos contribuintes que utilizam a inadimplência como estratégia de negócio. Segundo o Fisco, poucas empresas se enquadram nessa categoria, mas devem bilhões ao governo.

São classificadas como devedores contumazes:

  • 15 empresas inativas, com R$ 23,1 bilhões em débitos;
  • 7 empresas irregulares, com R$ 15 bilhões;
  • 13 empresas regulares, com R$ 4,6 bilhões.

De acordo com Barreirinhas, o Fisco pretende enfrentar o setor de cigarros, que concentra os devedores contumazes. O secretário afirmou que a nova lei deve ampliar punições e coibir práticas recorrentes de sonegação.

"São recursos que deixam de ir para saúde, educação e previdência. Essa realidade precisa mudar", concluiu.



Com informações da Agência Brasil