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Sobretaxa de 40% continua a ser entrave com EUA, apontam entidades

(via Agência Brasil)

| Edição de 15 de novembro de 2025 | Atualizado em 15 de novembro de 2025

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A recente decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa de 10% sobre 238 produtos, embora sinalize uma abertura para negociações, oferece apenas um alívio modesto para a maioria dos setores. De acordo com as entidades que representam os setores impactados, o principal obstáculo ainda é a sobretaxa adicional de 40% imposta pelo governo de Donald Trump no final de julho.

Essa medida beneficia diretamente 80 itens exportados pelo Brasil para os Estados Unidos, mas a pesada sobretaxa de 40% continua a impactar a maioria dos produtos brasileiros. As entidades avaliam que o Brasil precisará intensificar o diálogo diplomático para buscar a eliminação total das tarifas extras e restabelecer condições de competitividade no mercado norte-americano.

Somente quatro produtos passam a ter isenção completa de tarifas nos Estados Unidos: três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará. Os outros 76 produtos, incluindo cafés não torrados, cortes de carne bovina, frutas e hortaliças, continuam sujeitos à tarifa de 40%.

Indústria

As entidades industriais brasileiras consideraram a medida um gesto positivo, mas ainda insuficiente. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os 80 itens beneficiados pela suspensão da tarifa de 10% representaram US$ 4,6 bilhões em exportações em 2024, cerca de 11% do total exportado pelo Brasil para os EUA.

A CNI destaca que a manutenção da sobretaxa de 40% coloca o Brasil em desvantagem em relação a concorrentes que não enfrentam as mesmas barreiras. A entidade reforça a necessidade urgente de avançar nas negociações.

“É muito importante negociar o quanto antes um acordo para que o produto brasileiro volte a competir em condições melhores”, declarou em nota o presidente da entidade, Ricardo Alban.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também vê o corte como um avanço limitado.

“É um passo importante, mas ainda insuficiente”, afirmou em comunicado o presidente Flávio Roscoe. A federação destaca que produtos importantes na pauta de exportação do estado, como carnes e café, continuam afetados.

Carne

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) teve uma reação mais positiva, destacando o retorno de previsibilidade ao comércio bilateral. Em nota, a associação afirmou que a redução “reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países.”

“A medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil, marcada pela qualidade, pela regularidade e pela contribuição para a segurança alimentar mundial”, informou a entidade.

“A redução tarifária devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio”, completou o comunicado da Abiec.

Segundo a entidade, a tarifação sobre carne bovina brasileira caiu de 76,4% para 66,4%, com a retirada da tarifa global de 10%. Antes do governo de Donald Trump, os Estados Unidos taxavam o produto em 26,4%.

Café

O setor cafeeiro mantém cautela e aguarda esclarecimentos sobre o alcance da redução. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) considera necessária uma análise técnica adicional. O Brasil, produtor de metade do café tipo arábicas do mundo, fornece cerca de um terço dos grãos aos Estados Unidos.

No caso brasileiro, a concorrência com outros grandes exportadores de café é o principal desafio. A tarifa estadunidense para os grãos brasileiros caiu de 50% para 40%, mas as tarifas foram zeradas para o produto colombiano e praticamente zeradas para o café vietnamita.

“O café também reduziu 10% [pontos percentuais], mas tem concorrente que reduziu 20% [pontos percentuais]. Então esse é o empenho que tem que ser feito agora para melhorar a competitividade”, disse no início da tarde o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.



Com informações da Agência Brasil