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Campeão do Amador, Pirapó Esporte Clube retoma tradição

Renan Vallim

| Edição de 07 de fevereiro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A última edição do Campeonato Amador de Futebol de Campo de Apucarana marcou o retorno de uma das equipes mais antigas e tradicionais da cidade: o Pirapó Esporte Clube. Fundado em outubro de 1953, o time se destacou sobretudo nos anos 60, 70 e 80, com importantes conquistas na região. Após um período longe dos primeiros lugares, a equipe conseguiu ser campeã do Amador e também trabalha para formar a próxima geração de jogadores.

Imagem ilustrativa da imagem Campeão do Amador, Pirapó Esporte Clube retoma tradição

A vitória sobre o Baiano Futebol Clube no último dia 28 de janeiro aconteceu de maneira emocionante: um 4 a 3 bastante disputado. De acordo com o treinador Élton Campidelli, estar no time do Pirapó tem uma emoção diferente. “É uma grande responsabilidade treinar esse time. A cobrança existe, até pela história do time. Muita gente vai aos jogos, o pessoal das antigas, gente que já vestiu essa camisa. Tem pai de jogador atual que já jogou pelo Pirapó”, conta ele.
Élton, que é comerciante, lembra ainda que os integrantes do clube sentem o peso do time ter ficado tanto tempo na fila. “Foram 17 anos fora de uma final de campeonato. É uma marca que acaba adicionando um clima diferente ao time. Fico feliz por ter levado o clube novamente a uma final, ainda mais sendo o meu primeiro campeonato no comando do Pirapó”, diz.
Apesar do passado recente difícil, o clube tem uma rica história. Participante de um dos primeiros times do Pirapó, Wagner Lazarini ainda lembra com saudade daqueles tempos. “Cheguei em Apucarana em 1955, com 16 anos, e logo comecei a jogar. Me lembro que o futebol era jogado quando não havia colheita de café. O “Primeiro de Maio” era o grande torneio, sempre foi. Era como se fosse o nosso ‘Brasileirão’, pela rivalidade e importância que tinha”, lembra.
Rivalidade que era compartilhada, nesse início de clube, pelo Cambira Futebol Clube. “Eles eram os nossos grandes rivais. Até hoje me lembro de uma partida pelo “Primeiro de Maio” em que fomos jogar lá no campo deles. Era 1957, campo lotado e ânimos à flor da pele. Logo no início do jogo, uma briga generalizada começou e invadiu o campo, envolvendo também os jogadores. Tivemos que sair correndo e o jogo acabou sem resultado”, conta.
Olívio Martins de Abreu também é da mesma época. “Era um tempo diferente, bem mais difícil, mas com muito amor ao futebol. Os jogos eram bem mais disputados, mais ‘pegados’, não tinha corpo mole. Mas era complicado. Muitos, inclusive eu, não tinham nem chuteira para jogar. Mas a gente dava um jeito, tudo pelo futebol”, lembra ele.