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Com mudanças climáticas, Jogos de Inverno usam 85% de neve artificial

(via Agência Brasil)

| Edição de 07 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 07 de fevereiro de 2026

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As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, que tiveram início nesta sexta-feira (6), revelam de forma contundente os impactos do aquecimento global. Segundo dados do Instituto Talanoa, 85% da neve utilizada nas competições de 2026 será artificial, uma tendência que vem se acentuando desde os Jogos de Sochi, em 2014.

Para tornar as provas viáveis, os organizadores planejam produzir 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, uma operação que demanda 946 milhões de litros de água. Para se ter uma ideia, esse volume seria suficiente para encher um terço do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Produção de Neve Artificial

Para assegurar as pistas de competição, foram instalados mais de 125 canhões de neve em locais como Bormio e Livigno, apoiados por grandes reservatórios de água em altitude. A dependência tecnológica para a geração de neve tem sido uma constante nos Jogos de Inverno recentes. Em Sochi (2014), cerca de 80% da neve foi produzida artificialmente. Esse índice subiu para 98% em PyeongChang (2018) e atingiu 100% em Pequim (2022).

O número de locais com condições climáticas confiáveis para sediar os Jogos está diminuindo rapidamente. Mesmo com o uso de tecnologia, o aquecimento global tem encurtado os invernos, dificultando a manutenção da neve e aumentando a incerteza para competições ao ar livre.

Impactos Climáticos Globais

Entre 1981 e 2010, 87 locais no mundo eram considerados climaticamente confiáveis. Projeções para a década de 2050 indicam que esse número cairá para 52, e em 2080 pode chegar a apenas 46, mesmo em um cenário intermediário de redução de emissões de gases do efeito estufa.

A redução da neve natural está ligada a mudanças mais amplas no sistema climático. Invernos estão se tornando mais quentes e menos previsíveis. Observações de satélite mostram que a extensão do gelo marinho do Ártico permanece abaixo da média histórica. Em setembro de 2012, foi registrada a menor extensão já observada: 3,8 milhões de km². Em 31 de dezembro de 2025, a área chegou a 12,45 milhões de km², ainda inferior ao padrão do período 1991-2020.

Consequências Além do Esporte

De acordo com o Instituto Talanoa, os impactos vão além do esporte. A neve atua como um reservatório natural de água, liberando-a gradualmente ao longo do ano. Menos neve significa menor vazão de rios, pressão sobre reservatórios, prejuízos ao turismo de montanha e desequilíbrios em ecossistemas adaptados ao frio, afetando economias locais e modos de vida inteiros.

Os Jogos Olímpicos de Inverno, criados em 1924 nos Alpes franceses, nasceram da abundância de neve natural. As sedes tradicionais estão em áreas de montanha e altas latitudes, historicamente associadas a invernos frios, como os Alpes europeus, o Canadá, os Estados Unidos e o norte da Ásia.

Um século depois, os dados indicam que, sem máquinas, canhões de neve e grandes volumes de água, o evento simplesmente não aconteceria. Para pesquisadores e ambientalistas, isso é um retrato de como as mudanças climáticas impactam e remodelam tradições globais consolidadas.



Com informações da Agência Brasil