A Chama Olímpica foi recebida na manhã de ontem em Arapongas pelas mãos de Thaís Aparecida Campos da Silva, de 19 anos. Ela representou, assim como os outros revezadores, a paixão pelo esporte e a importância da inclusão social. Foi através da prática esportiva que Thaís mostrou e mostra a todos que a Síndrome de Down não é impedimento para uma vida ativa. “Eu tive muita sorte de ser escolhida e também estou muito emocionada”, revela. Aliás, emoção foi a marca deixada por onde a Tocha Olímpica Rio 2016 passou. Do início ao fim do trajeto não teve quem não parou para conferir o símbolo maior dos Jogos Olímpicos. As calçadas ficaram abarrotadas de estudantes, trabalhadores e famílias inteiras.
Uma das famílias que compareceram em peso foi, é claro, da Thaís. “Ela é uma mocinha com Síndrome de Down, mas desde muito cedo gostava de praticar esportes. Fez dança, muay thai e judô. Ela sempre foi muito ligada à área esportiva. Ela curte muito. Sempre foi também muito independente”, comenta, cheia de orgulho, a mãe Seili de Campos da Silva, 59 anos. Hoje em dia, a paixão de Thaís é pelo vôlei.
A farmacêutica Daniele Fantini, 34, também fez questão de prestigiar o evento, mas, ao lado dos filhos Francisco, 8, e Mariana, 4, e do marido Helton Hirata. “É um momento único. Nós trouxemos eles, porque já entendem o que significam os Jogos Olímpicos e também para incentivar a prática de esportes”, disse. Quem também saiu da rotina para levar os pequenos ao revezamento foi a telefonista Tatiane Burci, 33. Ao lado dos filhos, Gabriel, 9, e Maria Luíza, 8 e do marido, o vendedor Pedro Lopes, 31, a mensagem que queriam deixar aos filhos era a mesma: incentivar a prática esportiva. “O esporte faz bem para a saúde do corpo e da mente e também ensina valores”, avalia Tatiane.
Já o pequeno Gabriel resumiu o evento de forma mais simples: “legal”. Legal também foi a palavra usada pela ginasta rítmica Maria Gabriela Alves da Silva, 9, que participou de uma das apresentações em frente à Igreja Matriz, onde a Chama Olímpica permaneceu por 15 minutos e concentrou o auge das atividades. Já para a mãe, a enfermeira Vera da Silva, que trocou o turno de trabalho para ver a apresentação da filha, a passagem da Chama Olímpica representa mais: “É um incentivo ao esporte. Espero ver minha filha ir longe na ginástica”, espera.
Já o pintor Hilário de Assis, 50, não mudou a rotina, apenas deu uma pausa para ver a Tocha Olímpica passar na Avenida Arapongas. “Vela pena. Vou mostrar depois para os meus filhos”, conta. Durante a passagem, ele não desgrudou os olhos do celular para ver se registrou tudo direitinho. Mas teve gente ainda que nem precisou sair de casa para ver a Chama Olímpica. Do portão de casa, Judite da Silva, 72, apreciou tudo do portão de casa.
Por outro lado, teve quem, mesmo acompanhado o comboio não conseguiu ver. O garotinho Leonardo Monhei, 9, estava com a mãe, Patrícia, 35, mas no meio da multidão não conseguiu ver a passagem. O motorista do veículo que estava a Tocha Olímpica – tudo bem com a chama apagada – fez a graça de atrasar por alguns segundos a viagem para Maringá, para fazer a de criança feliz. “É bonita”, disse Leonardo ao final. A tocha depois de 1h20 encerrou sua trajetória de 4,2 km na Igreja Santíssima Trindade.
DIA ÍMPAR – O prefeito de Arapongas, padre Antônio José Beffa, ressaltou a importância do evento. “Arapongas vive hoje (ontem) um dia ímpar na sua história. Entre mais de 300 cidades, Arapongas tem a honra de receber a Chama Olímpica, por isso, devemos comemorar com uma grande festa”, ressaltou. Beffa também lembrou a simbologia do fogo olímpico. “Símbolo de paz e união entre os povos”, disse.
Durante a passagem da Tocha Olímpica não ocorreu nenhum imprevisto. O trânsito foi liberado de forma gradativa, de acordo com a passagem dos revezadores.
Participantes vivem momentos de emoção
Vinte e dois araponguenses tiveram o prazer de participar do revezamento da Chama Olímpica em Arapongas. Além de Thaís Campos da Silva, de 19 anos, que recebeu a Tocha Rio 2016 vinda de Londrina, outros admiradores do esporte também se emocionaram ao percorrer pelas ruas e avenidas com o símbolo dos jogos olímpicos. “Foi fantástico. É o símbolo da paz e o maior do esporte. O interesse pela passagem da Tocha Olímpica demonstra a alegria do povo brasileiro, a importância das Olimpíadas no Brasil e, acima de tudo, a importância do esporte”, disse Roberto Braz do Nascimento, pastor presbiteriano, 59 anos, que recebeu a Chama Olímpica nas escadarias da Igreja Matriz da atleta de badminton Giovana Romão Antônio, 19.
Já para Gisele Franco, 29, a experiência foi ainda mais especial. Grávida de três meses, ela garante que a emoção foi em dose dupla. “Fiquei emocionada, porque desde pequena fui apaixonada por esportes, em especial, o karatê. Também me emocionei ao ver as pessoas na rua participando. Se acreditassem mais no esporte, a realidade dos jovens brasileiros seria diferente, teria menos violência”, acredita.
Para a professora de Educação Física, Suélen Almeida, 32, a participação no revezamento também foi uma experiência singular. “Foi fantástico. É uma experiência única. Fiquei muito feliz. Fui indicada por alguns alunos e amigos. Sempre trabalho com foco na qualidade de vida e é o que gosto de fazer”, garante. Foi das mãos dela que a Tocha Olímpica seguiu para Maringá.
Ao final do evento, todos os revezadores ganharam uma réplica da Tocha Olímpica. Uma, inclusive, vai passar por todas as escolas municipais de Arapongas e depois permanecerá em exposição do Museu de Arte e História de Arapongas (MAHRA)