Em 1983, o cantor baiano Moraes Moreira já expressava em sua música a paixão pelo Flamengo, lamentando a saída de Zico, o maior ídolo do clube, para a Europa. Décadas depois, essa paixão se renovou quando o zagueiro Danilo marcou o gol que garantiu ao Flamengo seu quarto título da Libertadores.
O feito foi celebrado por uma multidão no Centro do Rio de Janeiro, onde torcedores se reuniram para mostrar ao time a importância dessa vitória. Do alto de um caminhão do Corpo de Bombeiros, os jogadores comemoraram com a "Nação", como é conhecida a torcida do Flamengo, a vitória conquistada no Estádio Monumental de Lima, no Peru.
A celebração reuniu pessoas de diversas partes, que enfrentaram horas de espera sob o sol para participar do evento. A Agência Brasil conversou com torcedores que destacaram como o futebol é capaz de unir e motivar as pessoas, fazendo-as superar dificuldades do cotidiano.
Vitória dupla
Para o casal Eduardo Ferreira Henrique e Valéria Nunes Domingos, a vitória do Flamengo foi um motivo a mais para celebrar. No mesmo dia, receberam a notícia de que Valéria não estava com câncer, como suspeitavam. "Foi um dia maravilhoso, sensacional! Comemoração dupla", disse Eduardo.
Valéria destacou como vitórias como a do Flamengo são uma motivação para manter a alegria na vida, além de exaltar a união que o futebol proporciona.
"Na hora da euforia, todo mundo se abraça, todo mundo demonstra felicidade. Esse negócio de violência já foi do passado, agora a galera toda se une, todo mundo junto", acredita Eduardo.
Família
Andressa Vitória, que veio de São Gonçalo com a família, destacou como o futebol une as pessoas, ao ponto de formarem uma verdadeira família. "Se você estiver vendo um jogo no bar, parece que todo mundo se conhece, começa a trocar assunto sobre isso. Você acaba fazendo uma amizade porque sempre vê um jogo naquele lugar, acaba se tornando uma família", conta.
Vida mais leve
Eusébio Carlos André, que veio de Resende, acredita que as alegrias no futebol ajudam a deixar a vida mais leve. "O Flamengo ganhando deixa o pai de família feliz, todo mundo feliz. O cara feliz no trabalho, feliz no amor, feliz com o filho", diz.
Ele também destaca o lado democrático do futebol, que une pessoas de diferentes classes sociais e etnias.
Fenômeno de massa
O professor aposentado Mauricio Murad, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, já estudou as paixões e a coesão social causadas pelo futebol. Ele afirma que o futebol é um dos maiores eventos da cultura de massa no Brasil, mobilizando paixões coletivas e representando o sistema simbólico do país.
Murad destaca que o futebol não se restringe ao esporte profissional, mas transborda para toda a vida social, estimulando corações e mentes em diversas regiões e classes sociais.
Paixão como herança
O casal Maurício Braz e Flávia Torres, de Magé, levou o pequeno João Vicente, de apenas 9 meses, para a comemoração. "É algo que passa de pai para filho", disse Maurício, enquanto apontava para a camisa do bebê, que guarda desde 1995.
Para Hélio Marcos Ferreira Chaves, a festa foi um pouco mais solitária do que as de 2019 e 2022, mas ele espera estar com o filho na próxima quarta-feira, quando o Flamengo pode conquistar mais um título no Campeonato Brasileiro.
O sambista João Nogueira já dizia: "quando o Mengo perde eu não quero almoçar, eu não quero jantar". Mas neste fim de semana, a Nação vai almoçar, jantar e dormir feliz.
Com informações da Agência Brasil