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Reconhecimento a pioneiras da seleção feminina é "resgate" e "legado"

(via Agência Brasil)

| Edição de 08 de maio de 2026 | Atualizado em 08 de maio de 2026
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Há mais de duas décadas, Márcia Honório da Silva vem moldando o futuro do futebol brasileiro com a mesma determinação que demonstrou em seus 20 anos de carreira nos gramados. Após pendurar as chuteiras, ela se dedicou às categorias de base do futsal no Juventus, um clube tradicional de São Paulo. Entre os talentos que ajudou a revelar estão o volante Nonato, do Fluminense, e o meia Rodrigo Nestor, do Bahia.

Atualmente, Marcinha, como é carinhosamente conhecida, coordena equipes de futsal para crianças de sete a dez anos na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras (SP), sua cidade natal. Entre seus alunos, já esteve Matheus Bidu, hoje lateral-esquerdo do Corinthians. Embora os times sejam majoritariamente masculinos, no sub-7, uma menina se destaca jogando entre os meninos.

"Na minha época, isso não podia", relembra Marcinha, em entrevista à Agência Brasil.

Márcia Honório fez parte da primeira seleção feminina de futebol do Brasil, que conquistou o terceiro lugar no Torneio Experimental da FIFA em 1988, na China. Este evento foi um marco, servindo de base para a criação da Copa do Mundo Feminina, três anos depois, no mesmo país.

"Eu vivi o início de tudo, quando não tínhamos nada além da vontade. Digo às crianças que hoje há estrutura e visibilidade, mas o que faz um campeão ainda é o mesmo que tínhamos antes: coração, respeito pela história e a disciplina de querer sempre ser o melhor", afirma Marcinha.

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Após aposentar as chuteiras, Marcinha se dedicou à equipes de base do futsal. Na foto ela aparece ao lado do ex-aluno Matheus Bidu, hoje lateral-esquerdo do Corinthians - Acervo Pessoal/Márcia Honório

Pioneiras como Márcia, que enfrentaram a falta de apoio e visibilidade em busca do sonho de viver do futebol, podem agora receber um reconhecimento histórico quase três décadas depois. O Projeto de Lei 1315/2026, que estabelece a Lei Geral da Copa de 2027 no Brasil, prevê o pagamento de R$ 500 mil às atletas das gerações de 1988 e 1991. A iniciativa é inspirada em uma medida adotada durante o Mundial masculino de 2014, quando campeões das edições de 1958, 1962 e 1970 foram reconhecidos.

"Trata-se de resgatar uma dignidade negada por décadas. É uma prova de que aquela luta em campo finalmente foi reconhecida na história oficial do nosso país. Claro, vai ajudar muita gente financeiramente, mas o reconhecimento é importante não só na parte financeira", destacou Márcia Honório.

Assim como Márcia, Rosilane Camargo Motta, conhecida como Fanta, continua ligada ao esporte. A ex-lateral-esquerda, que participou do Torneio de 1988 e de três Copas do Mundo (1991, 1995 e 1999), dá aulas de futebol para meninas no Parque Oeste, no Rio de Janeiro, alimentando sonhos que hoje são mais possíveis do que nos 20 anos que dedicou aos gramados, representando clubes como Santos, Vasco e Radar, este último o principal time feminino do país nos anos 1980.

"[Ensino] vivência, disciplina, persistência e amadurecimento dentro da nossa modalidade, que já foi proibida um dia", relatou Fanta à Agência Brasil, referindo-se ao período entre 1941 e 1979, quando o futebol feminino foi proibido por decreto do governo Vargas.

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Atualmente, a ex-jogadora Fanta (terceira da esquerda para a direita) dá aulas de futebol para meninas no Parque Oeste, Rio de Janeiro - Acervo Pessoal/Rosilane Camargo Motta

"[O reconhecimento às pioneiras] É justo e positivo. Acredito que a luta nunca foi em vão. A reparação é um legado deixado para a nova geração", completou a ex-lateral-esquerda, que também complementa sua renda como churrasqueira.

Fanta também trabalha em uma das Vilas Olímpicas do projeto Rio: Capital do Futebol Feminino, que promove a modalidade por meio de aulas gratuitas, ao lado da ex-zagueira Marisa, outra pioneira e capitã da seleção de 1988. A iniciativa tem como base a Copa do Mundo do próximo ano, aguardada com expectativa pelas pioneiras.

"A importância é que só de ser no Brasil já é uma grande vitória. O resto [impacto da Copa no futebol feminino], unidos pela modalidade, teremos que descobrir juntos", projetou Fanta.

"Que a Copa venha melhorar o profissionalismo dos clubes e federações. Que invistam na base para colher frutos. Que a gente mude a preparação das marcas, mostrando que investir na mulher e na mulher atleta é necessário. E ver estádios lotados. Espero que o Brasil mostre ao mundo que sabemos organizar um evento digno do futebol feminino. Temos muito a fazer ainda, mas acho que melhoramos bastante desde a nossa época", concluiu Márcia Honório.

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Com informações da Agência Brasil