O ouro conquistado por Thiago Braz, 22, na prova do salto com vara nos Jogos traduziu o que é superação. O paulista de Marília redimiu anos de frustração do atletismo nacional e de desilusões pessoais em um Engenhão que viu de tudo um pouco nesta segunda-feira à noite
A competição se iniciou com cerca de uma hora de atraso devido à forte chuva no estádio. Depois, o equipamento que eleva o sarrafo quebrou. Os competidores esperaram por cerca de 15 minutos até que a solução, manual, fosse encontrada.
Aí um embate de nível técnico altíssimo se seguiu por duas horas perante um estádio parcialmente vazio que se tornou ensurdecedor a cada salto do brasileiro.
Thiago superou o sarrafo, na sequência, em 5,65 m, 5,75 m e 5,93 m. Conforme os rivais caíram, sobrou neste estágio somente o mais temido entre os oponentes: o francês Renaud Lavillenie, atual campeão olímpico na vara e recordista mundial (6,16 m).
O favorito acertou todos os seus saltos até chegar a 6,03 m. Aí Thiago fez mágica. Acertou sua tentativa para a marca, incendiou o Engenhão, bateu o recorde olímpico da prova e seu recorde continental. "É campeão, é campeão, é campeão", saudou a arquibancada, absolutamente atônita.
A vitória história de Thiago, a primeira do atletismo brasileiro desde o triunfo de Maurren Maggi no salto em distância em Pequim-2008, não foi exatamente zebra.
Em 2010, ele foi vice-campeão olímpico nos Jogos da Juventude de Cingapura. Dois anos mais tarde, sagrou-se campeão mundial júnior.