A jogadora Tifanny, que atua como oposta no time Osasco São Cristóvão Saúde, expressou sua opinião pela primeira vez sobre a recente política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A nova regra limita a participação em competições femininas a atletas que foram designadas como do sexo biológico feminino ao nascer.
Tifanny, aos 41 anos, é a primeira atleta transgênero a competir na Superliga e classificou a medida como um "enorme retrocesso", afirmando que não desistirá de jogar.
"A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70", disse Tifanny, em pronunciamento compartilhado pela assessoria de imprensa do Osasco.
"Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão", acrescentou a oposta, que joga no vôlei feminino desde 2017 e foi campeã da Superliga em 2025, sendo a primeira trans a conquistar o principal torneio do país na modalidade.
Impacto da Nova Regra
O pronunciamento de Tifanny ocorreu após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista da modalidade, na noite do último sábado (15), no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros. Apesar dos 19 pontos marcados por Tifanny, que foi bastante aplaudida pela torcida, a equipe visitante venceu por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, em um jogo que durou pouco mais de duas horas.
A participação de Tifanny no jogo, mesmo após o anúncio da nova política da CBV, foi possível porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) decidiu manter o regulamento vigente desde o início do torneio. A entidade afirmou que "eventuais medidas" serão tomadas "para as próximas competições [...] após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde".
Conformidade com Normas Internacionais
A CBV anunciou o novo critério de elegibilidade na última sexta-feira (14), com o objetivo de alinhar-se às regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A confederação estipulou que as atletas devem apresentar um resultado negativo para o gene SRY, entre outros critérios.
Anteriormente, mulheres trans poderiam competir desde que seus níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de um limite específico. A nova regra já está em vigor para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027.
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Com informações da Agência Brasil