Durante o carnaval, a alegria dos blocos e festas pode ser ofuscada por problemas sérios quando imagens são capturadas sem o consentimento dos foliões. A advogada Maria Eduarda Amaral, especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual, alerta sobre os riscos dos crimes digitais não só durante o carnaval, mas em qualquer época do ano.
“Hoje, qualquer conteúdo postado na internet está suscetível a manipulações e usos indevidos”, afirma Maria Eduarda. Para se proteger, é essencial adotar precauções como aceitar apenas pessoas conhecidas nas redes sociais, evitar exposição excessiva e não postar em tempo real quando ainda estiver em um local específico.
“Vejo pessoas que saem do trabalho ou da faculdade e postam fotos que as tornam facilmente identificáveis”, observa a advogada.
Os criminosos observam esses movimentos para identificar oportunidades de prejudicar alguém, especialmente quando a pessoa está distraída em uma festa. Esse é o momento em que boatos e mentiras podem se espalhar rapidamente, dificultando uma reação imediata.
Intercorrências
Durante o último carnaval, invasões de redes sociais foram frequentes. As pessoas, no desespero, acabam utilizando wi-fi públicas ou acessando links suspeitos, o que pode resultar em golpes financeiros. Outro problema são os deepnudes, imagens falsas geradas por inteligência artificial que deixam as pessoas nuas, aproveitando-se de fantasias de carnaval.
Aplicativos de encontros também são usados para criar perfis falsos com fotos manipuladas, levando usuários a encontros em locais inseguros. Maria Eduarda recomenda cautela ao usar esses aplicativos, especialmente em chamadas de vídeo, que podem ser usadas para acessar contas bancárias.
Cuidados básicos
Antes de marcar encontros, é importante coletar o máximo de informações sobre a pessoa. Para o público LGBTQIA+, que pode ser mais vulnerável, é essencial verificar redes sociais e informações jurídicas sobre a pessoa. Uma videochamada pode ajudar a confirmar a identidade, mas deve ser feita com cautela para evitar golpes.
Erros comuns
Mesmo com precauções, golpes podem ocorrer. A advogada recomenda exigir encontros em locais públicos para maior segurança. Os prints de conversas são provas digitais importantes em processos judiciais. Guardar informações desde o início pode ajudar a identificar golpistas.
Responsabilização
As vítimas de crimes digitais podem buscar responsabilização civil e, em alguns casos, criminal. Bancos podem ser responsabilizados por fraudes em contas, e plataformas de relacionamento podem ser responsabilizadas por não verificarem a idoneidade dos usuários. Denunciar é fundamental, pois não há vergonha em ser vítima de um golpe.
Com informações da Agência Brasil