Pelo menos quatro pessoas perderam a vida em um trágico acidente aéreo em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, a cerca de 150 quilômetros de Campo Grande. O incidente ocorreu no final da tarde de terça-feira (23).
Entre os falecidos está Kongjian Yu, um renomado arquiteto e urbanista chinês, conhecido por desenvolver o conceito de cidades-esponja, que utiliza a natureza para aumentar a resiliência urbana frente a condições climáticas extremas.
O avião, um Cessna Aircraft 175, prefixo PT-BAN, era pilotado por Marcelo Pereira de Barros, que também faleceu no acidente. As outras vítimas foram o cineasta Luiz Ferraz e o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr.
Investigação em andamento
O 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos já iniciou a coleta de dados no local do acidente para determinar as causas da tragédia. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que ainda não há um prazo definido para a conclusão das investigações, mas que o relatório final será divulgado assim que possível. O objetivo é evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.
Impacto no mundo cultural
A empresa Olé Produções, cofundada por Ferraz, confirmou as mortes em nota oficial. Luiz Ferraz, que dirigiu diversos documentários, foi indicado ao Emmy Internacional em 2023 pela série "Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia". O Ministério da Cultura lamentou a perda, destacando sua contribuição ao cinema brasileiro.
Thomas Miguez, produtor-executivo da Olé Produções, revelou que Ferraz e Crispim estavam trabalhando em um documentário sobre o trabalho de Yu, intitulado "Planeta Esponja".
Contribuições de Kongjian Yu
Yu estava no Brasil a convite da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, onde ministrou a conferência de abertura. Ele também participou de um evento em Brasília promovido pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil.
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo expressou pesar pela morte de Yu, ressaltando sua influência global no planejamento urbano ecológico. Yu foi premiado com honrarias como o IFLA Sir Geoffrey Jellicoe Award (2020) e o Cooper Hewitt National Design Award (2023).
Legado e visão
Em uma visita ao Brasil em junho de 2024, Yu participou de um seminário no BNDES, no Rio de Janeiro, onde discutiu a reconstrução de cidades afetadas por desastres ambientais. Ele destacou a importância de soluções naturais para enfrentar enchentes e mudanças climáticas, propondo que cidades funcionem como esponjas para absorver e gerenciar a água de forma eficaz.
Yu começou a desenvolver o conceito de cidades-esponja após observar inundações frequentes em sua cidade natal, Zhejiang, na China. Ele criticou a "infraestrutura cinza", que impermeabiliza o solo urbano, e defendeu o uso da natureza para mitigar desastres.
* Colaborou Bruno de Freitas Moura
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Com informações da Agência Brasil