A divisão de elite da Guarda Municipal do Rio de Janeiro começou suas operações neste domingo (15). Criada para atuar no policiamento ostensivo em áreas de grande circulação, a Força Municipal é uma unidade que agora possui o direito de portar arma de fogo.
Na estreia, os agentes foram destacados para patrulhar o entorno do Terminal Gentileza, a rodoviária Novo Rio e a Estação Leopoldina, todos no centro da cidade, além do Jardim de Alah, entre Ipanema e Leblon, na zona sul. Essa região é conhecida por sua ampla extensão e proximidade com a praia.
Os agentes são facilmente identificáveis pelas boinas amarelas, que contrastam com o uniforme cáqui da Guarda Municipal tradicional.
"Os agentes passaram por um criterioso processo de seleção e agora, nas ruas, eles têm, diariamente, uma tarefa a cumprir e nós acompanhamos", afirmou o prefeito Eduardo Paes, ao acompanhar a saída dos guardas do Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio).
O COR-Rio funciona como uma espécie de centro de comando da prefeitura.
Equipamentos e Segurança
Os agentes da nova força utilizam pistolas Glock, com capacidade para 15 tiros, além de equipamentos de menor potencial ofensivo, como spray de pimenta, gás lacrimogêneo e tasers. Para garantir que o uso desses equipamentos seja proporcional, é obrigatório o uso de câmeras corporais e GPS, que permitem o monitoramento em tempo real.
Os guardas realizam patrulhas a pé, em duplas ou trios, com apoio de motos e viaturas. As ordens são para realizar abordagens preventivas, identificando comportamentos suspeitos que possam indicar roubos ou furtos.
O secretário de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, destacou que o monitoramento, seleção e treinamento dos agentes "fazem com que eles atuem de forma técnica e estritamente dentro da lei", o que, segundo ele, ajudará a ganhar a confiança da população.
Planejamento e Expansão
Os primeiros pontos de policiamento foram escolhidos com base na incidência de crimes patrimoniais e nos horários de maior concentração de ocorrências, definidos após análise de dados estatísticos. A prefeitura planeja expandir a atuação da Força Municipal para outros 20 pontos da cidade, incluindo áreas como Copacabana, Botafogo, Barra da Tijuca, e regiões próximas a estações de trem e metrô.
Controvérsias e Discussões
A Força Municipal foi lançada mesmo sob questionamentos da Câmara Municipal do Rio e desconfiança da população, que enfrenta alta letalidade por parte da Polícia Militar. O vereador Rogério Amorim (PL) criticou a medida, afirmando que a nova unidade "acabava com a Guarda Municipal" ao contratar agentes temporários. A vereadora Thais Ferreira (PSOL) também expressou preocupações sobre a repressão a camelôs e à população de rua.
Duas ações contra a Força Municipal foram apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a legalidade da contratação temporária sem concurso público e a autorização para porte de arma de fogo.
A prefeitura, no entanto, defende que a criação da Força Municipal visa complementar o policiamento da Polícia Civil e Militar, com 600 agentes formados após meses de treinamento.
O prefeito destacou que a iniciativa busca aumentar a segurança nas áreas da cidade com maior incidência de roubos e furtos, com previsão de estender a atuação para locais como o entorno do Maracanã e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além de áreas comerciais no Méier, Del Castilho e Madureira.
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Com informações da Agência Brasil