O avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) trouxe consigo um aumento na necessidade de questionarmos a veracidade das informações que recebemos. Essa é a recomendação dos próprios profissionais de checagem de fatos, que destacam a importância da desconfiança em tempos onde o rosto e a voz podem ser facilmente replicados, mas a informação nem sempre é confiável.
Um estudo recente, divulgado pela Agência Lupa, especializada em checagem de fatos, analisou 1.294 verificações em pelo menos dez idiomas. Intitulado "O impacto da IA no Fact-checking Global", o levantamento revelou que 81,2% dos casos de desinformação envolvendo IA surgiram nos últimos dois anos, com temas como eleições, guerras e golpes sendo os mais frequentes.
De acordo com Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação da Agência Lupa, a IA está transformando o cenário da desinformação em escala global. Ela afirma que a maioria das peças analisadas pelos checadores são rotuladas como falsas ou enganosas, já que a IA raramente é utilizada para promover conteúdos verdadeiros.
Além de vídeos
A desinformação não se limita a vídeos, mas também se espalha por áudios curtos, fotos e textos. A preocupação é especialmente grande durante períodos eleitorais, quando essas tecnologias podem ameaçar a democracia em diversos países, incluindo o Brasil, Estados Unidos, Peru, Costa Rica e Colômbia.
"Os eleitores desses países enfrentarão uma enxurrada de conteúdos gerados por IA, muitos dos quais podem ser falsos", alerta Tardáguila. Ela destaca que o uso da IA para manipular informações deixou de ser esporádico e se tornou uma constante no ambiente digital, com um aumento significativo nos casos de checagem de 160 em 2023 para 578 em 2025.
Mentiras em diferentes línguas
O estudo não se limita a uma região específica, mas sim a diferentes idiomas. Foram identificados 427 casos de desinformação em inglês, 198 em espanhol e 111 em português. A pesquisadora defende a importância da educação midiática para ajudar a sociedade a identificar conteúdos falsos e se proteger contra a desinformação.
"Precisamos que a informação de qualidade, que funciona como uma vacina contra a desinformação, chegue antes para preparar as pessoas", ressalta Tardáguila.
Educação midiática como solução
Para enfrentar esse desafio, é necessária uma política pública que inclua a educação midiática e a literacia, habilidades essenciais para interpretar e utilizar a linguagem de forma eficaz. Essa iniciativa deve ser implementada urgentemente nas escolas.
Além do papel do governo, as empresas de comunicação e as agências de checagem têm um papel crucial. "A checagem precisa seguir critérios rigorosos de transparência", afirma a pesquisadora. O estudo analisou checagens publicadas e indexadas pelo Google no Fact Check Explorer.
"Não tenho dúvidas de que 2026 será um ano em que veremos ainda mais IA. É importante que os brasileiros estejam preparados para identificar a desinformação", conclui Tardáguila.
Qualquer cidadão pode verificar a legitimidade das informações que recebe. A Agência Lupa oferece um curso gratuito para iniciantes para ajudar nesse processo.
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Com informações da Agência Brasil