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Jovens no DF se unem por tapetes de Corpus Christi e “jejum” de telas

(via Agência Brasil)

| Edição de 04 de junho de 2026 | Atualizado em 04 de junho de 2026

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Enquanto preparava areia e tinta para criar um cálice no tapete de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios, a jovem estudante Vitória Nunes, de 18 anos, refletia sobre como a ocasião não apenas celebra a fé cristã, mas também fortalece amizades reais, longe das distrações das telas de celular e da inteligência artificial.

"Os encontros são mais verdadeiros do que na internet", afirmou Vitória, que coordena o grupo jovem da Paróquia de São José, na comunidade Lúcio Costa, uma área periférica do Distrito Federal.

Imagem ilustrativa da imagem Jovens no DF se unem por tapetes de Corpus Christi e “jejum” de telas
Vitória Nunes coordena grupo jovem da Paróquia de São José, da comunidade Lúcio Costa, na periferia do DF - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

"Os jovens descobrem um caminho na doação", comentou. A comunidade de Vitória tem enfrentado processos de reintegração de posse, o que trouxe tensão para a região. Ela relata que, diante das desocupações, mais adolescentes e suas famílias buscaram apoio na igreja.

A estudante do curso técnico em meio ambiente garante que a amizade nos grupos reduz o sentimento de solidão e sintomas de transtornos mentais, como a depressão. "O apoio da família é muito importante para a gente estar aqui."

O tapete que eles produziam era um dos 27 confeccionados em um corredor de 125 metros de comprimento. Vindos de diferentes regiões da capital, grupos de jovens como o de Vitória chegaram assim que raiou o dia para montar os tradicionais tapetes.

Desenhos à mão

Além de molhar os dedos de tinta, sal, palha e serragem, adolescentes e jovens adultos formavam rodas, cantavam e dançavam nas proximidades do corredor de tapetes. Nada de celular. Nada de inteligência artificial. Os desenhos feitos todos à mão.

As observações dos jovens vão ao encontro de posicionamento do papa Leão XIV, que publicou uma Carta Encíclica no mês passado, que pede regulamentação da inteligência artificial e alerta para os riscos de desinformação por intermédio dos desenvolvimentos dessas tecnologias.

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Publicitária Luiza Helena Teixeira teve seu desenho escolhido para se transformar em tapete de Corpus Christi - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A publicitária Luiza Helena Teixeira, de 24 anos, participa desde 2019 e teve o seu desenho escolhido para se transformar em tapete pela comunidade do Lúcio Costa. “Foi uma inspiração que eu tive. E é muito bom ver todo mundo trabalhando junto.”

Inclusão

Próximo aos jovens dessa comunidade, um outro grupo periférico, formado por pessoas surdas, e encarregado de tapete de Corpus Christi pedia mais inclusão. Entre eles, estava Márcio da Cruz, de 36 anos, que participa das atividades da pastoral há sete anos. Atualmente, ele está desempregado, mas sonha trabalhar com informática.

Morador de Planaltina (DF), Márcio afirma que a reunião com jovens de sua comunidade deu novo ânimo a sua vida. As expressões dele são traduzidas para a Agência Brasil pela professora Daniele Galeno, de 44 anos, uma das coordenadoras da Pastoral dos Surdos. “Muitos jovens acabam ficando em casa e só no celular. Essas atividades para eles trazem novo ânimo”, afirmou. Inclusive a confecção de tapetes.

A mãe do rapaz, Vânia Lúcia da Cruz, de 62 anos, que assistia ao filho caçula e a outros jovens confeccionarem o tapete, lamenta que muitos jovens surdos não têm oportunidade no mercado de trabalho formal. “O meu filho sempre teve muito obstáculo com a comunicação. Quando eles se unem, ficam mais felizes, né?”. Vânia tem outros quatro filhos ouvintes.
 

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Márcio da Cruz se juntou aos  grupos que foram à Esplanada participar da montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

"A linguagem deles"

Um outro grupo presente, que chegou à Esplanada antes das 7h, foi o Movimento Escalada. A diretora do grupo, a estudante de enfermagem Mariana Abrantes, de 23 anos, destacou que não é simples afastar os mais jovens das telas para que eles se voltem às atividades religiosas, mas que é possível atraí-los e mantê-los “falando a linguagem deles”.

“As amizades têm que ser cultivadas presencialmente e até além da vida no catolicismo. Eles cantam, dançam e se divertem”, garantiu.
 

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Com informações da Agência Brasil