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Judocas brasileiras superam preconceito e inspiram jovens atletas

(via Agência Brasil)

| Edição de 15 de março de 2026 | Atualizado em 15 de março de 2026

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“Quando eu comecei a fazer esses eventos, eu via que eu não podia parar, porque através da minha história, da minha conquista ali, da minha medalha, eu estava inspirando outras gerações”.

A declaração é da judoca brasileira Rafaela Silva, que, ao lado de Jéssica Pereira, ambas integrantes da seleção brasileira de judô, participaram de um evento focado em equidade de gênero e desenvolvimento social, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

Na moderação, realizada na última quinta-feira (12), no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as atletas discutiram sobre suas carreiras, as dificuldades de se manter em um esporte de alto rendimento, e os preconceitos sociais e de gênero enfrentados ao longo de suas trajetórias.

Atualmente com 28 medalhas olímpicas, o judô é o esporte que mais trouxe pódios ao Brasil na competição. Das cinco medalhas de ouro, três são de atletas femininas: Sarah Menezes (2012), Rafaela Silva (2016) e Beatriz Souza (2024).

A conversa foi mediada por Camila Dantas, gerente de comunicação da Confederação Brasileira de Judô (CBJ).

Presença Feminina

Aos 33 anos, Rafaela relembra que conheceu o judô aos 5 anos, através de um projeto social próximo à sua casa, na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Após não se sentir acolhida nas aulas de futebol, onde era a única menina, ela percebeu que no judô as crianças se divertiam juntas, independentemente do gênero.

Jéssica Pereira, de 31 anos, é tricampeã pan-americana e heptacampeã brasileira. Ela conta que começou no esporte aos 7 anos como uma forma de escapar da violência na Ilha do Governador, perto do Morro do Dendê. Sua mãe a matriculou, junto com outros cinco irmãos, no judô para mantê-los ocupados durante o dia.

“Quando eu recebo uma mensagem no Instagram dizendo que sou uma inspiração ou uma criança dizendo: 'Ah, eu entrei no judô porque te vi lutar'. Esses momentos são muito gratificantes, e sabemos que servimos como inspiração para a nova juventude que está vindo.”

Rafaela Silva relata que, quando começou na seleção brasileira, em 2008, os treinos no Japão eram exclusivos para homens, pois a confederação não acreditava que as mulheres tinham nível para treinar no país onde o esporte surgiu. Segundo a atleta, esse cenário mudou com o tempo.

“O judô feminino é igual ao masculino. Lutamos o mesmo tempo, recebemos a mesma premiação, temos as mesmas oportunidades, mas as pessoas ainda têm essa visão, né?”, acrescentou.

Desafios e conquistas

Rafaela lembra que, durante sua trajetória, enfrentou olhares tortos e desconfiança por ser uma atleta mulher. O preconceito vinha tanto de familiares quanto em competições internacionais.

“Várias tias nossas diziam: 'Não, mas isso é coisa de homem, ficar se agarrando, se batendo lá'. Até que começaram a entender um pouco da nossa história dentro da modalidade e mudaram essa visão.”

Mesmo diante de desafios, as conquistas do judô feminino são muitas. A ex-judoca Mayra Aguiar, por exemplo, é a maior medalhista brasileira do esporte, com três medalhas olímpicas de bronze em duas competições: Londres 2012 e Tóquio 2020.

Ela também foi a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em esportes individuais, dividindo hoje a conquista com a ginasta Rebeca Andrade.

Federação Internacional

A Federação Internacional de Judô tem se empenhado no desenvolvimento da categoria feminina. No campeonato mundial de 2017, foi inaugurada a competição por equipes mistas, que mescla homens das categorias 73 kg, 90 kg e +90 kg com mulheres do 57 kg, 70 kg, +70 kg.

Antes disso, a competição por equipes era separada por gênero, e a mudança forçou países de tradição na modalidade, como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão, a investirem na formação e profissionalização de atletas mulheres.

Com foco nas Olimpíadas de 2028 em Los Angeles, Rafaela Silva já percebe a presença de mais atletas femininas nas competições e, aos 33 anos, não tem planos de se aposentar.

*Estagiária sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.

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Com informações da Agência Brasil