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Morre em São Paulo dramaturgo Zé Celso, aos 86 anos

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil (via Agência Brasil)

| Edição de 06 de julho de 2023 | Atualizado em 06 de julho de 2023

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O mais longevo dramaturgo em atividade, Zé Celso Martinez, que morreu nesta quinta-feira (6), deixa o legado de uma arte que revolucionou a política e os costumes. Ele encarou a ditadura militar e foi perseguido por suas montagens dionisíacas. Zé Celso foi preso, torturado e exilado, e produziu documentários sobre as revoluções portuguesa e moçambicana. O documentário

Zé Celso: tupy or not tupy

lembra que ele trabalhou com grandes nomes das artes, como Augusto Boal, Chico Buarque, Sérgio Britto, Raul Cortez e Pascoal da Conceição.

José Celso Martinez Corrêa  nasceu em Araraquara em 1937. Em 1955 entrou para o curso da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, profissão que nunca exerceu. Entretanto, no período em que esteve no Largo São Francisco formou o Teatro Oficina e foi ali que seus primeiros textos Vento Forte para Papagaio Subir (1958) e A Incubadeira (1959), foram encenados.

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No início da década de 60, ele se profissionaliza e a sede do grupo é transferida para o teatro da Rua Jaceguai, onde três anos depois Zé Celso dirigia

Pequenos Burgueses

, de Máximo Gorki, peça de sucesso que ganhou diversos prêmios, mas que foi censurada no ano seguinte, quando o Brasil mergulhou na ditadura militar. Após um incêndio, o teatro da Rua Jaceguai foi reformado e a primeira montagem dessa nova fase foi

O Rei da Vela

, em 1967, com base num texto escrito por Oswald de Andrade na década de 30, também encenada por Zé Celso.

Uma das características dos espetáculos de Zé Celso é a encenação para o grande público, de graça, ao ar livre ou em grandes espaços. Exemplo desse formato é As Dionisíacas, conjunto de quatro peças que percorreu sete capitais ao longo de 2010. As apresentações aconteciam sempre em estádios, com entrada franca.