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Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias

(via Agência Brasil)

| Edição de 30 de julho de 2026 | Atualizado em 30 de julho de 2026

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Tornar a rede elétrica mais resistente a ventos fortes, como os que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro recentemente, é viável, mas envolve um custo elevado que deve ser assumido pelas concessionárias de energia. Essa é a análise do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Medidas como a fiação subterrânea e a poda adequada de árvores são essenciais para reduzir a vulnerabilidade do fornecimento de energia.

"É necessário realizar manutenção. Ou se enterra a fiação ou se faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro, ou se faz muito pouco", destaca o professor da Coppe/UFRJ.

Watanabe, residente no Grajaú, Zona Norte do Rio, ainda estava sem energia até a tarde de quinta-feira. Em sua rua, a rede elétrica é aérea, sustentada por postes, o que a torna mais suscetível a quedas de árvores e intempéries. Regiões com instalações subterrâneas, como os bairros mais nobres do Rio e o centro da cidade, enfrentam menos problemas, avalia ele.

"Quem recebe energia por linha aérea enfrenta mais problemas", resume, acrescentando que, além dos custos de instalação serem maiores para a fiação subterrânea, a manutenção também é mais cara.

O professor estima que o custo dos cabos subterrâneos é de sete a dez vezes maior que o da linha aérea, mas oferece maior qualidade. Ele afirma que a responsabilidade por esses custos recai sobre as concessionárias de energia.

"Seria benéfico se houvesse mais atividade por parte das concessionárias. Se continuarmos inertes, a situação só piorará".

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Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Planos de contingência

Para Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, o risco de falta de energia não justifica, por si só, a substituição de toda a rede aérea por subterrânea.

"É uma decisão estética, urbanística, mas não tem grande impacto na questão da falta de luz".

Torres ressalta que criar uma estrutura subterrânea requer um investimento elevado, que pode ser economicamente inviável. Além disso, os cabos subterrâneos, embora protegidos contra o vento, são problemáticos em casos de inundações e furtos.

Segundo Torres, o evento ocorrido no Rio foi uma emergência, para a qual as instituições devem estar preparadas com planos de contingência, que identifiquem tudo que possa afetar suas operações e serviços.

"Ou seja, fazer uma lista dessas ameaças, abrangendo eventos como vendavais, inundações e ataques cibernéticos, que podem afetar qualquer organização".

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Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde desta quarta-feira (30). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O próximo passo do plano de contingência é identificar as causas potenciais dessas ameaças, ou seja, os pontos fracos na operação que podem permitir que esses problemas ocorram. Uma análise de risco prioriza os pontos que exigem mais atenção.

Em seguida, busca-se implementar medidas que possam evitar, na medida do possível, essas falhas ou reduzir significativamente a probabilidade de sua ocorrência.

Torres enfatiza que instituições de diferentes naturezas, desde escolas até empresas de telecomunicações e concessionárias de energia elétrica, precisam se preparar para enfrentar cenários climáticos adversos.

Ele destaca que as concessionárias de energia elétrica devem focar em um possível aumento drástico de eventos climáticos, especialmente este ano, com a previsão de um El Niño particularmente forte.

"Elas devem considerar cenários hipotéticos, como um tornado, uma inundação de até dois metros ou uma onda de calor extremo, e planejar suas ações".

Torres insiste que as empresas não podem esperar por eventos negativos para agir, sendo necessário alocar recursos e treinar pessoal para procedimentos emergenciais. Isso requer uma estrutura de planejamento de comunicação interna e externa com clientes, para preservar os serviços oferecidos.

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Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde desta quarta-feira (30). Árvore caí em frente ao Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, destruindo portão e fiação Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Sem previsão de retorno

A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, Zona Norte do Rio, está sem luz desde as 17h de ontem. Ela relatou ter aberto vários protocolos na Light, mas a resposta é que os técnicos estão trabalhando no local, sem previsão de retorno da energia.

"Estamos preocupados, pois a geladeira já está descongelando, os alimentos estão perdendo a validade e não há previsão de retorno. Ficar sem energia é um grande transtorno".

Rico Vilarouca, designer que trabalha em casa junto com sua esposa, mora em Santa Teresa, no centro do Rio, e ainda aguarda o retorno da energia elétrica e da internet, situação comum quando chove forte e venta no bairro.

Os ventos intensos que atingiram o estado na quarta-feira deixaram claro para a família de Rico Vilarouca que "não estamos preparados para esse volume de vento na cidade", lamentou ele.

A Light e a Enel, concessionárias que operam no Rio de Janeiro, na região metropolitana e no interior do estado, informaram que estão com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento de energia. No entanto, milhares de residências e estabelecimentos ainda estavam sem energia nesta quinta-feira.

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Com informações da Agência Brasil