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Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada

(via Agência Brasil)

| Edição de 30 de julho de 2026 | Atualizado em 30 de julho de 2026

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O relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, divulgado recentemente, revela um cenário alarmante sobre a violência armada no Brasil. As operações policiais, que são a principal estratégia de segurança pública, têm se mostrado um dos principais fatores que impulsionam essa violência.

Os dados indicam um recorde na participação policial em tiroteios, com 901 pessoas baleadas. Mesmo assim, as ações de grupos armados continuam a crescer nos estados analisados.

O levantamento, realizado entre janeiro e junho de 2026, abrangeu as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, totalizando 57 municípios.

Foram registrados 2.511 tiroteios, resultando em 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas. As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, com 584 mortos e 317 feridos em 989 tiroteios. No primeiro semestre de 2025, a participação policial foi de 33%. Apesar da redução nos tiroteios, a presença policial nos conflitos aumentou.

"Há três décadas, o Estado insiste na mesma fórmula, um modelo de segurança pública que não consegue desarticular grupos armados nem garantir a segurança da população, mesmo com o aumento da participação policial nos conflitos. Insistir em uma estratégia ineficaz não trará resultados diferentes. Pelo contrário, essa lógica alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado, compromete o funcionamento de escolas e unidades de saúde e não contém o avanço dos grupos armados", avalia Terine Husek Coelho, gerente de Pesquisa do Instituto Fogo Cruzado.

O número de baleados em disputas entre grupos armados, como facções e milícias, aumentou 12% no semestre, passando de 181 vítimas em 2025 para 203 em 2026.

Grande Rio

Na região metropolitana do Rio, foram mapeados 976 tiroteios. Embora o número esteja em queda, as ações policiais representam quase metade dos registros do primeiro semestre. As forças policiais participaram de 47% dos casos, o maior índice desde 2017.

Grande Recife

Com 645 tiroteios mapeados, a violência armada na região metropolitana do Recife caiu, atingindo o menor índice desde 2019. Apesar da redução, o primeiro semestre de 2026 já acumula o maior número de tiroteios em ações policiais de toda a série histórica, com 60 registros, ou 9% do total.

O aumento da violência armada em crimes contra o patrimônio é evidente no número de vítimas registradas no primeiro semestre, com 53 pessoas baleadas, um recorde em comparação aos quatro anos anteriores.

Salvador e região metropolitana

Salvador e suas regiões metropolitanas têm visto uma queda no número de tiroteios nos primeiros semestres, atingindo em 2026 o menor índice com 656 registros.

O número de baleados em ações policiais também aumentou, com 637 pessoas atingidas por disparos de arma de fogo no período, 53% delas em ações policiais. Isso também se reflete no número de agentes de segurança baleados em serviço, com 24 dos 34 agentes atingidos estando em serviço, representando 71%.

Belém

Na região metropolitana de Belém, 234 tiroteios foram mapeados no primeiro semestre de 2026, uma queda de 20% em comparação com o mesmo período de 2025, que teve 293 casos.

A violência na região continua sendo marcada por ações policiais, com participação dos agentes em 45% dos registros no primeiro semestre de 2026.

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Com informações da Agência Brasil