As quedas de mesmo nível — aquelas que acontecem quando a pessoa tropeça ou escorrega no próprio chão — registraram uma alta preocupante no último ano em Apucarana. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, o número de atendimentos subiu de 241 casos, em 2024, para 286 registros em 2025, um aumento de 18,6%.
O cenário é mais preocupante para a terceira idade. No último ano, 144 ocorrências envolveram idosos, o que representa mais da metade de todos os chamados. A maioria das vítimas tem entre 70 e 80 anos. Embora muitos casos resultem apenas em sustos ou machucados leves, a gravidade é real: em 2025, cinco pessoas ficaram em estado grave e uma mulher de 91 anos morreu após sofrer uma queda dentro de sua residência.
Os números mostram que ninguém está totalmente imune. Enquanto o atendimento mais jovem foi para uma criança de 2 anos, o mais velho envolveu um idoso de 101 anos. O salto nas estatísticas entre um ano e outro acende o alerta para a segurança dentro e fora de casa. Em 2024, eram 117 idosos acidentados; em apenas um ano, esse número saltou para 144 vítimas.
A tenente do 11º Batalhão de Bombeiro Miliar (BBM) de Apucarana, Ana Paula Inácio de Oliveira Zanlorenzzi, explica que pequenas mudanças no dia a dia podem evitar acidentes. Segundo ela, o ideal é adaptar a casa.
“O ideal é que os tapetes sejam fixos ou mesmo removidos; que haja barras de apoio distribuídas pela residência, que se usem calçados presos ao pé e antiderrapantes, e que os pisos não sejam escorregadios”, orienta a tenente.
Além da estrutura da casa, manter os ambientes bem iluminados e sem objetos espalhados pelo chão é fundamental. A oficial também reforça a importância de manter o corpo ativo. “Sabemos que quando temos mais força e resistência, ficamos mais preparados. Com acompanhamento profissional, a atividade física e o fortalecimento muscular são grandes aliados contra as quedas”.
Atenção redobrada nas ruas
Ao sair de casa, o cuidado deve ser com o caminho. A recomendação principal é manter o foco total no trajeto para não ser surpreendido por obstáculos.
“Na rua, o primeiro ponto é sempre prestar atenção onde pisa, para evitar buracos, mudanças de nível ou qualquer outro impedimento que possa causar a queda”, afirma a tenente Ana Paula.
Para quem já tem dificuldade de equilíbrio, o uso de bengalas ou andadores é indispensável. E para quem caminha acompanhado, a Tenente deixa um aviso importante sobre o socorro imediato: “É recomendado ter alguém por perto que possa ajudar a segurar em caso de desequilíbrio. Mas os dois precisam estar atentos para que, na hora de tentar ajudar, o acompanhante não acabe caindo junto e ambos se tornem vítimas”.