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Apucaranense percorre 800 km no Caminho de Santiago de Compostela

Da Redação

| Edição de 08 de outubro de 2026 | Atualizado em 08 de outubro de 2026

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O empresário apucaranense, Bruno Marcato, 32 anos, está prestes a concluir o desafio de percorrer a pé os 800 quilômetros do Caminho de Santiago de Compostela. A jornada de 34 dias, iniciada no histórico vilarejo francês de Saint-Jean-Pied-de-Port, no sopé dos montes Pirineus, tem chegada prevista para este domingo na famosa catedral espanhola.

Movido pela fé e pelo desejo de autoconhecimento, o apucaranense transformou um sonho, que vinha sendo amadurecido por quase quatro anos, em uma intensa experiência de superação física, mental e espiritual nas estradas da Europa.

O longo trajeto exige resistência física e emocional para enfrentar variações climáticas, subidas íngremes e o desgaste natural de caminhar continuamente por mais de um mês, com previsão de apenas dois dias de descanso. Apesar das quase 200 horas acumuladas de esforço, Bruno relata que o verdadeiro obstáculo da travessia não está no corpo.

“Aqui tudo se reconecta, físico, mente e espírito. Depois de um determinado momento, você percebe que é totalmente mental e espiritual. A cabeça é 90% do desafio. Tem trecho que fisicamente é mais difícil, mas tem uma parte que é como se estivesse atravessando um deserto”, conta Bruno, que tem uma empresa de seguros e não deixou de trabalhar durante o percurso. Ele conta que por conta da diferença de fuso horário, à noite, quando ele deixa a estrada, é dia no Brasil, e ele consegue fazer reuniões.

Durante a peregrinação, a exaustão e as dores fizeram com que Bruno pensasse em abandonar a caminhada e comprar uma passagem de volta. Para não ceder à tentação de desistir, ele conta que recorreu à oração, à paciência e ao foco no objetivo final.

“Se apegar ao objetivo, ter paciência, rezar bastante e tentar manter a calma. Entender que aquele momento difícil é para te ensinar alguma coisa, dormir, e no dia seguinte ter forças para continuar”, afirma Bruno.

Paralelamente às provações, o isolamento proporcionado pelas montanhas e áreas rurais serviu para uma reflexão pessoal, oferecendo o distanciamento necessário para que ele pudesse reavaliar a vida e reorganizar as prioridades.

Além do mergulho interior, a travessia se destacou pela convivência com pessoas de diversas partes do planeta. Segundo o apucaranense, as interações são parte importante da caminhada.

“Você faz alguns amigos, perde a maioria deles, continua com outros e vai conhecendo gente do mundo inteiro. É a dinâmica da vida. As pessoas chegam, fazem a parte delas e vão embora. No começo e no final do dia, você está sozinho. É uma experiência realmente transformadora”, comenta.