Por dia, ao menos dois acidentes com vítimas são registrados em Apucarana. Um levantamento feito pela Tribuna junto ao Sistema de Estatísticas de Ocorrências do Corpo de Bombeiros do Paraná (SYSBM) mostra que, de janeiro até ontem, foram 190 ocorrências atendidas somente pela corporação, o que corresponde a um aumento de 31% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 145 sinistros. O número, entretanto, pode ser ainda maior, já que o balanço não inclui situações recebidas pelo Samu.
O relatório aponta ainda que, em março, foram 58 acidentes atendidos pelos bombeiros na cidade, um aumento de 45% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando 40 ocorrências foram registradas. Somente ontem, pelo menos três acidentes foram registrados na Rua Ponta Grossa, na Avenida Itararé e na Rua Minas Gerais. A última ocorrência envolveu um carro e uma moto e deixou duas pessoas feridas.
Segundo a tenente Ana Paula Zanlorenzi, do Corpo de Bombeiros, não há como apontar apenas uma causa específica para o aumento, mas avalia que o tamanho da frota do município, que cresceu de 96 mil para 98.705 veículos, e a imprudência influenciam a alta. “Quando há um número maior de veículos trafegando, em tese há mais veículos expostos a riscos”, afirma a tenente.
Ela destaca que as principais infrações observadas nos atendimentos dos acidentes envolvem o excesso de velocidade, a embriaguez, o uso do celular ao volante e a não observância das normas gerais, como furar o sinal vermelho ou a preferencial. Quanto à gravidade, a oficial ressalta que o quadro das vítimas varia bastante. A maioria dos atendimentos envolve ferimentos de grau leve a moderado, por ocorrerem predominantemente no perímetro urbano. No entanto, há um volume significativo de situações críticas.
“Temos sim muitos casos atendidos em que essas vítimas são consideradas graves e que necessitam de encaminhamento hospitalar imediato, passam por cirurgias, enfim, por situações que demandam um cuidado muito maior em virtude desses traumas ocasionados pela colisão”, pontua a tenente.
Ela também reforça que o número real de ocorrências é bem maior do que o registrado pelo sistema dos bombeiros, visto que acidentes sem vítimas ou apenas com danos materiais muitas vezes não geram acionamento. Além disso, as chamadas acabam divididas com outros serviços de socorro. “Temos muitas ligações que caem para o próprio Samu. E na nossa região, como atendemos parte de rodovia, a gente tem também a concessionária, que tem o trabalho de ambulância, então muitas vezes eles estão sendo acionados e a gente não fica sabendo”, relata.