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Cadastro de projeto de habitação reúne multidão em Apucarana

Cindy Santos

| Edição de 20 de janeiro de 2026 | Atualizado em 20 de janeiro de 2026

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Centenas de pessoas passaram horas na fila ontem para participar de um chamamento público convocado pela União de Mutuários e Moradores de Apucarana e Região (Ummar) para o cadastro de um novo projeto de habitação popular no município. As inscrições foram realizadas em uma sala na Rua Tamandaré cedida pela Câmara Municipal e muitas pessoas chegaram de madrugada no local.

A fila, que chegou a dobrar o quarteirão, gerou críticas devido à demora e à falta de infraestrutura e houve registro de tumulto e registro de briga entre mulheres que estão aguardando atendimento.

O autônomo Marcos Minoti Magri, 63, reclamou da falta de atendentes. “Tem muita gente aqui. Vamos ver no que vai dar”, disse. Já o cadeirante Rian Robert Freitas, 23, reclamou que não conseguiu se cadastrar por não saber que precisava de cópias físicas dos documentos. “Olha o tanto de gente que aí esperando por atendimento?”, questionou.

Entre os moradores também estava a cooperada da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Apucarana (Cocap), Lucy Meire Aparecida Braga, 43 anos, que tenta conseguir uma casa pela sexta vez. “Eu tenho um sonho de ter uma casa própria”, disse, relatando que esta é sua sexta tentativa de conseguir uma casa. “Já presenciei briga e até um senhor que passou mal e precisou do Samu”, afirmou.

A assistente social da Ummar, Aurita Bertoli, explicou que a alta procura era esperada devido ao longo período sem cadastramentos no município. Segundo ela, o projeto atual prevê a construção inicial de 50 casas na região do Colégio Três Reis de Oliveira, por meio da modalidade Minha Casa, Minha Vida Entidades.

Aurita esclareceu que as moradias fazem parte de um planejamento antigo. “Essas casas foram originalmente liberadas em 2016. Naquele ano, tínhamos um projeto para 330 unidades no mesmo terreno, mas com a mudança de governo, o programa foi suspenso”, detalhou. Ela explicou que, agora, a Prefeitura doou uma fração daquele terreno original para viabilizar as primeiras 50 unidades conquistadas recentemente.

Ela afirma que a modalidade Minha Casa Minha Vida Entidades tem um perfil diferente do programa original. “Nós estamos priorizando mulheres solos, mães chefes de famílias e também há uma cota para deficiente, idoso e também uma cota para comunidades tradicionais, que aqui quase não tem, que é quilombola e indígena”, explica Aurita.

Aurita admite que esperava grande procura, mas assinala que tentou buscar outros espaços públicos para garantir um melhor atendimento. Por isso, o cadastramento ocorreu em uma sala cedida pela Câmara. “Lamento esse sofrimento das pessoas nas filas, mas tentei outros locais públicos maiores e só consegui esse”, pontua.

A assistente social destacou que o mutirão servirá para mapear o real déficit habitacional de Apucarana. “Com esse cadastro, poderemos pleitear novos empreendimentos junto ao governo federal”, acredita.