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Censo inédito mapeia perfil da população de rua de Apucarana

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| Edição de 10 de setembro de 2026 | Atualizado em 10 de setembro de 2026

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Um levantamento inédito realizado pela Prefeitura de Apucarana revelou que mais de um terço da população em situação de rua do município apresenta algum tipo de deficiência física ou mental. O dado faz parte do primeiro Censo Municipal da População em Situação de Rua (Censo POP 2026), que identificou 123 pessoas na condição de rua. A cidade é a terceira do estado do Paraná a mapear detalhadamente as vulnerabilidades desse público, permitindo a criação imediata de políticas públicas mais assertivas.

Além do alto índice de pessoas com deficiência, que representam 37% dos entrevistados (46 pessoas), a pesquisa traçou o perfil demográfico e social de quem vive nas vias da cidade. Cerca de 95% desse grupo é composto por homens, sendo a maior parcela formada por pessoas autodeclaradas pardas e negras. O estudo também apontou que aproximadamente metade dos abordados dorme diretamente nas ruas, enquanto a outra parte alterna a permanência nas vias com o uso esporádico de abrigos institucionais.

A dependência química e o uso abusivo de álcool, de forma isolada ou associada a outros problemas, configuram o principal fator que leva a essa condição, figurando em mais de 40% dos casos. A ruptura dos vínculos familiares aparece como a segunda maior causa, seguida por episódios de luto, desemprego, abandono, problemas de saúde e passagem prévia pelo sistema prisional.

O diretor de Proteção Social Especial da Secretaria Municipal de Assistência Social, Alexandre Machado da Silva, avalia que a alta incidência de pessoas com deficiência nas ruas exige uma atuação conjunta do poder público. Segundo ele, essa é uma realidade que demanda a união da assistência social com a saúde para garantir não apenas o acolhimento, mas a reabilitação e o acesso a benefícios socioassistenciais. 

A secretária de Assistência Social, Fabíola Carrero, reforça que o diagnóstico permite que os serviços sejam organizados a partir das necessidades identificadas no território. “O estudo mostra que a situação de rua não tem uma causa única. A dependência química aparece com grande peso, mas também encontramos problemas de relacionamento familiar, luto, desemprego, abandono e questões de saúde como fatores que influenciaram na decisão de morar nas ruas”, explicou.