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Defesa Civil de Apucarana monitora onze áreas de risco de eventos climáticos

Lis Kato

| Edição de 12 de agosto de 2026 | Atualizado em 12 de agosto de 2026

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Apucarana tem onze áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil onde residem quase 70 mil pessoas que estão expostas a impactos climáticos. Os locais incluem bairros no entorno de represas, parque, córregos urbanizados e áreas de grande declividade, sujeitas a alagamentos e deslizamentos. Os pontos passam por contínuo de trabalho de catalogação.

“Desde que eu assumi, nós começamos a catalogar essas áreas de risco. Então, não é uma situação que foi levantada agora por causa da chuva deste mês. É um trabalho que já vem sendo feito”, explica o coordenador da Defesa Civil de Apucarana, sargento Rodrigo Leme.

Os locais foram identificados a partir das características de cada região e do histórico de ocorrências e situações de risco observadas ao longo do tempo. O objetivo é conhecer as áreas mais vulneráveis. A Defesa Civil ressalta que os números são estimativas da população potencialmente exposta e não significam que esse contingente tenha sido atingido por desastres.

“O cenário de chuvas acima da média, no entanto, reforça a necessidade de atenção. A previsão era de aproximadamente 120 milímetros de chuva para todo o mês, mas Apucarana já registrou 150 milímetros até o dia 11”, destaca o sargento Leme.

Entre os locais identificados, a maior estimativa de população potencialmente exposta está na região da Rua Rio dos Patos, entre o Núcleo Habitacional João Paulo II e a Vila Capanema, onde cerca de 20 mil pessoas estão em uma área sujeita a deslizamentos. O local, inclusive, já recebeu obras de ampliação de galerias, mas segue em monitoramento.

O mesmo tipo de risco é apontado no Jardim América, no Núcleo Habitacional João Goulart e no Jardim Trabalhista, na região do Parque Japira, com estimativa de impacto em 6 mil pessoas. A Defesa Civil também monitora áreas no Núcleo Habitacional Michel Soni, Osmar Guaracy Freire e no distrito de Pirapó (ver infográfico).

O risco de inundação também é monitorado em pontos populosos da cidade. Na Represa Schmidt, entre os núcleos habitacionais Dom Romeu Alberti e Marcos Freire e o Jardim Marisol, zona norte, a estimativa chega a 15 mil pessoas potencialmente expostas. Outro ponto monitorado está no Jardim Interlagos com o Jardim Veneza, são aproximadamente 9 mil pessoas na área sujeita a inundações.

Nos pontos classificados como sujeitos a alagamentos, estão a Avenida Minas Gerais, na Vila Nova, Avenida Irati, entre outros.

Leme também reforça que a prioridade do órgão é preservar vidas e reduzir os riscos antes e durante as ocorrências. “A Defesa Civil não é assistencialismo. Se eu tiver uma telha disponível para ajudar uma pessoa que perdeu a cobertura, vou ajudar com o maior prazer. Mas a nossa prioridade é preservar vidas. Quando a gente chega em uma ocorrência, a primeira preocupação é salvar vidas, não preservar bens materiais”, explica Leme.

TOPOGRAFIA CONTRIBUIU PARA CENÁRIO

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Apucarana não tem como principal característica o risco de grandes enchentes provocadas pela elevação dos rios. Por outro lado, o município pode registrar alagamentos rápidos, enxurradas e deslizamentos de terra durante períodos de chuva volumosa.

A topografia contribui para esse cenário. Áreas de declive e ravinas fazem com que a água ganhe velocidade ao percorrer as regiões mais baixas. O problema pode ser agravado pela impermeabilização do solo, provocada pelo asfalto, pelas calçadas e por construções, além da capacidade limitada das galerias pluviais durante pancadas muito fortes.

Como parte das ações permanentes de prevenção, a Prefeitura realiza a poda e a remoção preventiva de árvores que apresentam risco de queda, além da retirada de exemplares derrubados durante tempestades.

Lixo agrava problemas

Além das características geográficas, a ação humana pode agravar os problemas provocados pelas chuvas. O descarte irregular de lixo e entulho nas ruas compromete o escoamento da água e pode provocar o entupimento de bueiros e galerias pluviais.

Em uma ação recente de recolhimento realizada pela Prefeitura ao longo de apenas dez dias, as equipes retiraram das ruas uma montanha de móveis velhos, restos de materiais de construção e até um vaso sanitário. Quando levados pela água, esses materiais podem parar no sistema de drenagem e dificultar o escoamento, aumentando o risco de alagamentos.

“Não permitir que o lixo caia nas enxurradas, retirar restos de material de construção da frente das calçadas e evitar que esse material chegue às galerias e aos bueiros são medidas de preparação que cabem ao cidadão”, orienta sargento Rodrigo Leme.