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Doenças mentais afastam mais de 600 trabalhadores por ano

Cindy Santos

| Edição de 27 de maio de 2026 | Atualizado em 27 de maio de 2026

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Começaram a valer ontem as novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), que amplia a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. A partir de agora, fatores como assédio moral, pressão excessiva, estresse ocupacional e exaustão emocional passam a fazer parte oficialmente das políticas de prevenção de riscos no ambiente de trabalho. As novas regras entram em vigor em um cenário de recorde de afastamentos laborais por saúde mental na região, que avançaram 68% em dez anos nos municípios polo.

Dados da SmartLab, plataforma do Ministério Público do Trabalho, mostram que, entre 2014 e 2024, o número de afastamentos saltou de 390 para 657 registros nos cinco maiores municípios (ler infográfico). Entre as principais causas estão episódios depressivos, transtornos ansiosos, psicóticos, transtorno afetivo bipolar, estresse grave, entre outros problemas de saúde.

A maioria dos registros é de Arapongas, com 318 afastamentos laborais, uma alta de 82% em relação a 10 anos atrás. As ocupações com maior índice de trabalhadores afastados por doenças mentais são os alimentadores de linha de produção, os assistentes administrativos e os auxiliares de escritório.

Em Apucarana, o número de trabalhadores afastados subiu de 157 para 234, um aumento de 49%. Conforme a última atualização da SmartLab, os profissionais que mais se ausentaram do trabalho por motivo de saúde mental em 2024 foram os técnicos em enfermagem, motoristas de ônibus, enfermeiros, professores, costureiros e alimentadores de linha de produção.

Ivaiporã é o município com maior alta percentual de concessões de benefícios previdenciários associados à saúde mental, passando de 32 para 67 em uma década, alta de 109%. 

A chefe da Seção de Vigilância Sanitária, Ambiental e Saúde do Trabalhador da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, Anelize Sassá, avalia que o crescimento histórico nos afastamentos está diretamente ligado à falta de uma obrigatoriedade anterior para que as empresas gerenciassem os fatores de risco psicológico.

“Antigamente, as empresas não tinham a obrigatoriedade de monitorar os riscos à saúde mental. Os fatores psicossociais sempre existiram no ambiente de trabalho, seja por jornadas exaustivas, tarefas repetitivas ou episódios de assédio. E, nos últimos anos, isso tem sido bastante discutido, até para atualização da norma regulamentadora”, analisa Anelize.