Apucarana registrou uma redução de 22,3% no número de nascimentos em 10 anos. Foram 400 nascimentos a menos em 2025 do que em 2015, segundo dados do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social) sobre nascidos vivos no município. Em dez anos, o número caiu de 1.796 para 1.396.
Além da queda no número total de nascimentos, os dados mostram uma mudança no perfil etário das mães. O número de nascimentos de mães adolescentes e mulheres mais jovens caiu de forma significativa, enquanto algumas faixas etárias acima dos 35 anos apresentaram crescimento.
Entre mães de 15 a 19 anos, por exemplo, foram registrados 251 nascimentos em 2015. Em 2025, esse número caiu para 109, uma redução de 56,6%. Na faixa de 20 a 24 anos, foram 458 nascimentos em 2015, contra 278 em 2025, queda de 39,3%.
Enquanto isso, os nascimentos entre mulheres de 35 a 39 anos passaram de 198 para 213 no período, alta de 7,6%. Entre mães de 40 a 44 anos, o número subiu de 45 para 52, crescimento de 15,6%.
Um exemplo dessa mudança é a apucaranense Jenifer Larissa Menegardi, de 40 anos, que acaba de ser mãe de seu primeiro filho. Antônio nasceu anteontem. A maternidade não fazia parte dos planos dela. Depois de receber do médico a informação de que não poderia engravidar, Jenifer passou a se dedicar aos estudos e ao trabalho.
“Eu não pensava muito em ser mãe. Estava focada em estudar e trabalhar”, relata. Por acreditar que não poderia engravidar, Jenifer também não estava planejando uma gestação. “Como o médico havia dito que eu não poderia engravidar, eu não estava evitando. Então, não posso dizer que foi um acidente, mas, de fato, foi uma surpresa enorme”, conta.
Para a enfermeira obstetra Sabrina Kuniczki, coordenadora da Atenção Materno Infantil e chefe da Seção de Atenção Primária em Saúde da 16ª Regional de Saúde (16ª RS), a mudança no perfil das mães está relacionada a diferentes fatores.
“Realmente, as mulheres têm priorizado os estudos e o mercado de trabalho antes de formar uma família. Mas também temos a redução da fecundidade: as mulheres estão tendo menos filhos ao longo da vida”, explica.
Segundo Sabrina, o próprio perfil das famílias também mudou. “Houve um aumento na proporção de mulheres com um ou dois filhos. As famílias não são mais tão numerosas”, afirma.
Outro fator apontado por ela é a maior variedade e o acesso aos métodos contraceptivos. Entre as mudanças recentes, Sabrina cita a inclusão do implante contraceptivo subdérmico no SUS. O método é de longa duração e pode prevenir a gravidez por até três anos.
Ela também destaca mudanças na legislação relacionada ao planejamento reprodutivo, que ampliaram as possibilidades de acesso à esterilização voluntária.