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Minha Casa, Minha Vida é motor do ramo imobiliário

Cindy Santos

| Edição de 16 de junho de 2026 | Atualizado em 16 de junho de 2026
Operários na Construção Civil. FOTO: ARI DIAS/AEN

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Levantamento realizado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que o programa Minha Casa, Minha Vida se mantém como um dos principais motores do mercado imobiliário brasileiro, sendo responsável por 49% das vendas no primeiro trimestre deste ano, com mais de 54 mil unidades vendidas no período. E, segundo especialistas do ramo, Apucarana acompanha essa tendência nacional, consolidando o programa como uma das principais vias de acesso à casa própria.

Segundo o secretário municipal de Obras, Mateus Franciscon, o programa seja o principal meio de financiamento utilizado no município. “Nas demandas de aprovação, a maioria é de projetos que se caracterizam com a possibilidade de financiamento no Minha Casa, Minha Vida, entre outros”, analisa.

O programa também está envolvido na grande maioria das transações imobiliárias realizadas no escritório do empresário Cleon Caruzo, correspondente da Caixa Econômica Federal em Apucarana. “Grande parte das transações é feita pelo Minha Casa, Minha Vida envolvendo imóveis usados, novos e terrenos, dentro da nossa realidade. Como a gente só faz financiamento, não é compra direta, acho que nosso percentual é bem maior do que a média nacional. Muito mais da metade”, afirma.

A corretora de imóveis Mara Rocha também afirma que programa é a principal via de acesso imobiliário na cidade e que, neste ano, a adesão deve avançar ainda mais por causa das mudanças que entraram em vigor recentemente. Agora, o teto para financiamento de imóveis vai até R$ 600 mil para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, possibilitando que mais pessoas contratem o programa habitacional. “Acredito que a maior parte das negociações em Apucarana neste ano realmente se enquadra nessa tabela de faixas do programa Minha Casa, Minha Vida”, reitera.

Segundo ela, as novas regras estão incentivando mais famílias a comprarem a casa própria, além de fomentar o mercado imobiliário com a construção de imóveis novos e a venda de usados. “Apucarana vem sendo muito privilegiada, principalmente na questão de grandes construtoras que enxergam o potencial existente aqui e trazem novos empreendimentos. Isso facilita muito a aquisição do primeiro imóvel com os subsídios oferecidos pelo governo, a inclusão dos subsídios oferecidos pela Cohapar e as facilidades que os empreendimentos oferecem, mesmo para as pessoas que não dispõem da entrada, com parcelamento e isenção do pagamento de documentação. Isso gera muitos novos negócios”, destaca.

Impacto vai além da entrega da moradia, avalia economista

O economista Leonardo Silva, professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus Apucarana, concorda que o programa habitacional é um dos principais motores do mercado imobiliário. “E, combinado ao Casa Fácil Paraná, tem um impacto que vai além da entrega da moradia. Ele funciona como uma política de crédito e transforma uma demanda que já existia, mas muitas vezes estava reprimida pela falta de entrada ou pelas condições de financiamento, em compra efetiva”, analisa.

Conforme o economista, em cidades médias como Apucarana, esse efeito tende a ser relevante porque boa parte dos empreendimentos se enquadra no perfil econômico atendido pelo programa. “Quando uma obra habitacional é aprovada, o recurso circula pela economia local, movimenta construtoras, mão de obra, materiais de construção, transporte, serviços técnicos, imobiliárias, documentação e, depois da entrega, também o consumo das famílias com móveis, eletrodomésticos, acabamento e pequenos serviços”, acrescenta.