A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana, ficou lotada na noite de quinta-feira (2) para a tradicional Missa do Lava-pés, celebração que abriu oficialmente o Tríduo Pascal, considerado pela Igreja Católica o período mais importante do calendário litúrgico. O rito relembra o gesto de humildade de Jesus Cristo ao lavar os pés dos apóstolos antes da crucificação.
Para explicar a importância da celebração e a programação da Semana Santa, a reportagem conversou com o padre Douglas Felipe, assessor diocesano da Comunicação da Diocese de Apucarana.
Segundo ele, o período representa a chamada “Semana Maior” da Igreja. “O Tríduo Pascal são três dias de celebração que antecedem uma data de suma importância no calendário litúrgico católico, que é a Páscoa da Ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo”, afirmou.
Padre Douglas destacou que o gesto do Lava-pés vai além da purificação física. “O lavar os pés não é simplesmente purificar porque o pé está sujo. A simbologia por detrás de lavar os pés é o inclinar-se, o entregar-se. O serviço de lavar os pés era dedicado aos escravos na época de Jesus”, pontuou. Ele reforçou que a humildade é a principal característica dos seguidores de Cristo, que não veio de forma soberba, mas em atitude de entrega à humanidade.
A celebração, marcada por emoção, silêncio e reflexão, também recordou a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, pontos centrais da Quinta-feira Santa. Para os fiéis, o momento representa um convite ao serviço, à humildade e ao amor ao próximo.
Nesta Sexta-feira Santa da Paixão (3), a Igreja vive um momento de luto e silêncio. É o único dia do ano em que não se celebra a Santa Missa em nenhum lugar do mundo. “Jesus morre. Jesus está no sepulcro. Se Jesus é aquele que preside a Santa Missa, logo não se tem nenhum tipo de sacramento na Sexta-feira Santa”, esclareceu o padre. No lugar da missa, ocorre a Celebração da Santa Cruz, centrada no sacrifício de Cristo.
Em Apucarana, a programação desta sexta segue com a Celebração da Santa Cruz às 15h na Catedral. À noite, às 19h30, os fiéis participam da Procissão do Senhor Morto, uma das manifestações mais tradicionais da Semana Santa.
No Sábado Santo, a partir das 19h, acontece a Solene Vigília Pascal, celebração que antecede a ressurreição de Cristo. A cerimônia começa com a bênção do fogo e o acendimento do Círio Pascal, símbolo da luz de Cristo que vence as trevas. “É um rito belíssimo, emocionante. Estamos vigilantes diante do sepulcro aguardando a ressurreição do Salvador”, destacou o sacerdote.
As celebrações se encerram no Domingo de Páscoa, com missas na Catedral às 8h e 10h. Padre Douglas convida os fiéis a viverem o momento com interiorização e reflexão. “É preciso ver se estamos sendo cristãos de fato ou só da boca para fora. O principal é Jesus Cristo, inclusive no tradicional almoço em família”, concluiu.