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Por dia, ao menos um óbito por câncer é registrado na região

Cindy Santos

| Edição de 10 de fevereiro de 2026 | Atualizado em 10 de fevereiro de 2026

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Por dia, ao menos uma morte por câncer é registrada na região. Levantamento da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana aponta que, no ano passado, foram registrados 580 óbitos em decorrência de neoplasias malignas, um aumento de cerca de 3% em relação aos 564 óbitos do ano anterior. Embora sutil, o aumento é visto por especialistas como reflexo do aumento no número de casos da doença em decorrência do envelhecimento populacional.

O levantamento da regional mostra que o câncer de pulmão foi o tipo da doença que mais causou óbitos na região no ano passado, com 70 mortes, seguido pela neoplasia de cólon, reto e ânus, com 69 mortes, câncer de próstata, com 58 óbitos, e de mama, com 46. A região também registrou mortes por Linfoma de Hodgkin, leucemia, câncer no esôfago, estômago, pâncreas, pele, útero, ovário, bexiga, entre outros tipos.

Apucarana registrou 211 mortes, o que representa cerca de 36% de todos os óbitos da regional. Na sequência aparecem Arapongas (161), Jandaia do Sul (42), Faxinal (26), Marilândia do Sul (16), São João do Ivaí (16), Califórnia (15), Bom Sucesso (11), Kaloré (13), Sabáudia (13), Borrazópolis (11), Grandes Rios (11), Mauá da Serra (11), Marumbi (8), Cambira (7), Rio Bom (7) e Novo Itacolomi (1).

CASOS EM ALTA

Segundo o médico mastologista Ribamar Maroneze, o aumento no número de mortes é reflexo da alta nos diagnósticos. Ele confirma que os casos de câncer são crescentes e explica que isso se deve ao fator idade. O médico explica que, conforme as pessoas vivem mais, é esperado um maior número de diagnósticos. “Os casos de câncer são crescentes. Isso está relacionado ao envelhecimento celular e imunológico. O corpo fica mais propenso a perder a vigilância imunológica que nos protege contra defeitos do nosso organismo. Ficamos mais expostos a fatores causadores como a irradiação solar e outros promotores do câncer”, explica.

O médico ressalta, porém, que o perfil epidemiológico está mudando, com um aumento preocupante na incidência em pessoas com menos de 50 anos. Ele cita como exemplo o câncer de cólon e de intestino, que ganharam destaque recente na mídia com a morte de personalidades jovens, gerando um alerta na sociedade. Em decorrência disso, a recomendação para o início do rastreio baixou de 50 para 45 anos. No caso do câncer de mama, Maroneze aponta que um terço das pacientes acometidas hoje têm menos de 50 anos.

A literatura médica tem enfatizado que o principal fator para esse fenômeno em jovens é a obesidade. “O índice de obesidade vem crescendo no Brasil, 20% da população é considerada obesa. É uma questão de consumo. As famílias começam a ter mais condições e acabam escolhendo alimentos errados. Alimentos industrializados são carentes, com açúcares e carboidratos pobres, mas facilmente acessados e prontos para o consumo”, alerta o especialista.

Como orientação geral para prevenção, o médico destaca o cuidado com o sobrepeso e a adoção de hábitos saudáveis. “A literatura enfatiza 150 minutos por semana de atividade física moderada, o que dá 30 minutos por dia. É essencial aprender a escolher melhor os alimentos e manter a prática de exercícios”, aconselha.