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“Prometi continuar”: viúva mantém trabalho solidário criado pelo marido

Lis Kato

| Edição de 08 de maio de 2026 | Atualizado em 08 de maio de 2026

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Cinco meses após perder o marido para um câncer no intestino, a moradora de Apucarana Liliane Débora de França Lopes tenta reorganizar a própria vida enquanto mantém de pé a obra social criada pelo comerciante Vlamir Stabile Lopes. Conhecido em Apucarana pelo trabalho voluntário de empréstimo de cadeiras de rodas, muletas, andadores e camas hospitalares, Vlamir morreu no dia 24 de novembro de 2025, aos 61 anos. Agora, a esposa assumiu a missão de continuar ajudando famílias que precisam dos equipamentos.

“Na hora da morte dele, eu prometi que eu e meus filhos continuaríamos a obra”, conta Liliane. Durante mais de 20 anos, o barracão de Vlamir se tornou referência para pessoas que precisavam de equipamentos hospitalares gratuitamente. O comerciante recebia itens usados, reformava as peças e emprestava novamente para famílias da região.

Depois da morte dele, Liliane precisou adaptar a estrutura. Sem conseguir realizar os reparos que o marido fazia, ela reduziu a quantidade de equipamentos e passou a investir em materiais novos e mais leves. “Ele gostava de arrumar tudo, trocar rodinha, soldar. Eu não sei fazer isso. Então precisei diminuir a quantidade e melhorar a qualidade”, afirma.

Hoje, os atendimentos funcionam em uma sala menor, em frente ao local onde ela trabalha. Para conseguir manter o atendimento, Liliane passou a dividir a missão com outras pessoas que também atuam de forma solidária na cidade.

Parte dos equipamentos antigos foi repassada para o Instituto Peregrinos da Fé que realiza empréstimos e reformas de cadeiras de rodas, camas hospitalares e outros materiais. Ela também conta com apoio da Med Bombeiros APU, que trabalha com aluguel de equipamentos hospitalares, além da Loja Ortopédica São José, que auxilia famílias com venda e locação de materiais.

“Quando eu não tenho determinado equipamento, encaminho para quem pode ajudar. Tem muita gente boa fazendo esse trabalho também”, diz.

Os empréstimos continuam sendo feitos gratuitamente e são mantidos principalmente pela arrecadação de tampinhas plásticas e lacres de alumínio. Campanhas organizadas por amigos da família ajudaram Liliane a comprar novos equipamentos após a morte de Vlamir. “Conseguimos comprar 12 cadeiras de rodas novas e seis cadeiras de banho. Coloquei o nome dele nas cadeiras”, afirma.