Diante das constantes mudanças climáticas e da expectativa de enfrentar um super El Niño neste ano, municípios da região têm se preparado para a atuação em eventos climáticos extremos. Apucarana, Arapongas, Jandaia do Sul e Ivaiporã estão entre os municípios que já estão fortalecendo as ações preventivas referentes a chuvas intensas e desastres. Contudo, uma avaliação da atuação governamental realizada em 2025 pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) aponta que 75% dos municípios da região não tinha Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil e 25% não tinha estrutura responsável pela Defesa Civil formalizada em lei (ver box).
Em Apucarana, a Defesa Civil trabalha em ações preventivas junto às secretarias de Serviços Públicos, Obras, Meio Ambiente e Assistência Social. “Estamos realizando limpeza de bueiros, manutenção e reformas em obras, corte de árvores e aquisição de cobertores”, afirma o coordenador municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), Rodrigo Gearola Leme.
Leme ressalta que, no ano passado, o município passou a contar com uma sala operacional estruturada, que funciona junto ao pátio de máquinas da Prefeitura, com investimentos em equipamentos e materiais à disposição.
Em Arapongas, onde diversos pontos de alagamento foram registrados neste ano, ocorrerá a Semana Municipal de Prevenção e Defesa Civil. Conforme o coordenador da Defesa Civil, Paulo Kummel, o treinamento ocorre de 17 a 21 de agosto. “Vamos fazer um simulado referente às chuvas que aconteceram aqui, o grande volume de chuvas, no qual haverá todo um sistema para coordenar toda a situação”, afirma o coordenador, que destaca outras ações, como limpeza de bueiros.
JANDAIA DO SUL
A Prefeitura de Jandaia do Sul realizou, nesta semana, uma reunião voltada à reestruturação da Defesa Civil Municipal e ao fortalecimento das ações de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. Durante o encontro, foram discutidas ações para aprimorar a estrutura da Defesa Civil no município, fortalecer a integração entre os órgãos públicos e ampliar a capacidade de resposta diante de situações provocadas por eventos climáticos extremos, como tempestades, vendavais, enxurradas e outros desastres naturais.
A reunião contou com a participação de diversas autoridades, como o prefeito Ditão Pupio, representantes da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil e da Brigada Comunitária de Jandaia do Sul, entre outras.
Mais da metade dos municípios não tinha plano de contingência em 2025, aponta TCE
Relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) junto às prefeituras aponta que em 2025, vinte municípios da região não tinham Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil criado por lei ou decreto, o que corresponde a 75% do total. Outros sete municípios não tinham estrutura física da Defesa Civil, o que equivale a 25%. Conforme apurado pela Tribuna, os dados foram coletados em 2024, e alguns municípios avançaram, como é o caso de Apucarana, que passou a contar com estrutura física, equipamentos, materiais, áreas de risco cadastradas, plano de corte de árvores, entre outros.
No Paraná, mais da metade dos 399 municípios não possuía estrutura física para enfrentar desastres climáticos, conforme o relatório. Os dados foram levantados dentro do eixo de gestão ambiental do Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov). Em 2025, segundo os dados coletados do Sistema Informatizado de Defesa Civil, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), ocorreram 574 desastres no Paraná, os quais afetaram 246 municípios, atingindo 292.237 pessoas e resultando em 27 mortes.
Ivaiporã identifica áreas de risco
A Defesa Civil de Ivaiporã iniciou um plano preventivo para reduzir os impactos das chuvas e de eventos climáticos extremos previstos para os próximos meses. Segundo o coordenador Jeferson Palopoli, uma força-tarefa reúne secretarias municipais para identificar áreas de risco e executar obras antes do período mais chuvoso.
Entre as ações previstas estão o desassoreamento de rios e córregos em locais com histórico de alagamentos, como a região dos fundos da Madeporta, Alto da Glória e Toca de Assis, além da recuperação de bueiros e da remoção de árvores com risco de queda.
“Nosso objetivo é agir antes que o problema aconteça”, afirma Palopoli. Ele explicou que o planejamento também envolve as secretarias de Assistência Social, Saúde e Esporte para preparar abrigos temporários, atender famílias em situação de vulnerabilidade e manter estoque de lonas para emergências. O trabalho é realizado em parceria com o Corpo de Bombeiros.