O professor e psicólogo Henrique Benevenuto provou que a vocação não tem prazo de validade. No último dia 28 de dezembro, ele foi um dos cinco sacerdotes ordenados na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes, em Apucarana. Aos 74 anos, viúvo e pai de dois filhos, ele encerra um ciclo de décadas de atuação profissional na educação e na saúde mental para iniciar o ministério sacerdotal.
Natural de Curvelo (MG), filho de Joaquim Benevenuto e Maria José de Souza, Henrique nasceu em 1951 em uma família de forte base católica. Embora o chamado religioso tenha surgido ainda na infância ao ver o irmão ingressar no seminário, sua trajetória tomou caminhos diversos antes de retornar definitivamente ao altar.
Diferente da maioria dos seminaristas, o padre Henrique traz uma bagagem multidisciplinar: é especialista em Marketing, Gestão de RH, coach e possui formação também em artes cênicas. Mas é a psicologia sua maior ferramenta de trabalho. Ele planeja levar o consultório para dentro da igreja.
“Vou parar de atender na minha clínica e vou atender na Catedral. Pretendo continuar assim porque é a minha formação, tem muita gente sofrendo e a psicologia e a ciência podem ajudar”, explica. Segundo ele, a transição será feita em conjunto com o pároco, padre Valdecir Ferreira, unindo a psicologia às confissões e direções espirituais. “Essa vivência como marido, pai e profissional ajuda na escuta e no acolhimento”, pontua.
Colaborador Emérito do Exército Brasileiro, Henrique percorreu o Brasil ensinando inteligência emocional e gestão empresarial. Mesmo com a nova função, ele não abandonará as salas de aula, voltando-se agora para a formação do clero no Instituto Filosófico de Apucarana (IFA).
“Já nesse primeiro semestre tenho Psicologia da Comunicação e Psicopatologia com a turma da Filosofia”, conta. Sobre convites externos de universidades, ele demonstra a nova postura de obediência: “O que o Bispo determinar, eu acolherei com alegria”.
Após o falecimento de sua esposa, Teresinha Braga de Oliveira (a “Tereca”), com quem construiu sua família, Henrique sentiu que era o momento de aprofundar seu serviço à Igreja. Ele já atuava como diácono há dois anos quando recebeu o convite para a ordenação. Com base no Direito Canônico, a Igreja Católica permite que viúvos se tornem padres porque o impedimento ao sacerdócio não é o fato de ter sido casado, mas a obrigação de viver o celibato após a ordenação.
Para o novo padre, a ciência e a espiritualidade caminham juntas. “O ministério exige formação constante. Essa vivência como marido, pai e profissional ajuda na escuta e no acolhimento das pessoas”, afirma. Seus dois filhos, que inicialmente receberam a notícia com surpresas e brincadeiras, hoje são seus maiores apoiadores.
Como vigário da Catedral, onde celebrou sua primeira missa no dia 1º de janeiro de 2026, padre Henrique foca agora na escuta e no acompanhamento, especialmente dos jovens do movimento “Renascer”, onde atua há 30 anos.
“O corpo envelhece, mas o coração e a mente precisam estar sempre abertos para aprender”, reflete. Para ele, sua história é a prova de que Deus respeita o tempo de cada indivíduo.