A Seleção Brasileira entra em campo nesta sexta-feira, na Filadélfia, disposta a consolidar sua caminhada na Copa do Mundo, mas o técnico Carlo Ancelotti prefere manter o mistério como estratégia. Para o confronto contra o Haiti, válido pela segunda rodada do Grupo C, o comandante italiano vem indicando o retorno ao esquema 4-2-4, formação que ditou o ritmo da maior parte do seu primeiro ano de trabalho.
O objetivo claro do treinador é alargar o campo e criar espaços para furar a provável retranca adversária. Nos últimos ensaios realizados no CT de Columbia Park, a equipe testou variações dentro dessa mesma estrutura, sinalizando que Danilo e Luiz Henrique podem assumir as vagas de Ibañez e Lucas Paquetá, respectivamente, embora a confirmação oficial só deva ocorrer na véspera do confronto.
Além das escolhas táticas, a comissão técnica brasileira adota cautela redobrada com a condição física de peças importantes. O zagueiro Gabriel Magalhães, com desgaste no adutor da coxa esquerda, e o atacante Raphinha, que lida com bolhas nos pés decorrentes da partida de estreia contra o Marrocos, trabalharam com carga reduzida nos últimos dias. No setor de meio-campo, Fabinho ganhou minutos ao lado de Bruno Guimarães, abrindo disputa com o experiente Casemiro, que iniciou 12 dos 13 jogos da era Ancelotti, mas acabou substituído no intervalo do último jogo por estar pendurado com cartão amarelo. Na frente, a referência ofensiva também segue em aberto, com Igor Thiago e Matheus Cunha disputando a preferência do treinador.
Do outro lado, a seleção do Haiti chega credenciada por uma nítida evolução técnica, disposta a contrariar o próprio retrospecto e sua posição no ranking da Fifa — onde ocupa a 85ª colocação, a pior entre as 48 seleções participantes do torneio. Apesar da derrota por 1 a 0 para a Escócia na estreia, os haitianos impressionaram pela sólida organização defensiva. A principal válvula de escape e perigo iminente para a defesa brasileira é o imponente centroavante Pierrot, de 1,94m de altura, constantemente acionado em jogadas aéreas.
Esse salto competitivo é fruto de uma profunda reformulação no elenco caribenho, que passou a recrutar atletas nascidos no exterior com ascendência haitiana, como o atacante Wilson Isidor, destaque que atua no futebol inglês. Prova dessa internacionalização é que, dos 26 convocados para o Mundial, apenas dez nasceram de fato em território haitiano.