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Força dos pequenos: MEIs movimentam quase R$ 800 mi por ano em Apucarana

cindy santos

| Edição de 28 de maio de 2026 | Atualizado em 02 de junho de 2026

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Por ano, pequenos negócios formalizados pelos Microempreendedores Individuais (MEIs) movimentam quase R$ 800 milhões na economia de Apucarana. A estimativa, feita com base nos dados da Receita Federal levantados pelo Sebrae a pedido da Tribuna, mostra que a movimentação financeira é referente a mais de 9,8 mil microempresas ativas no município. Para o Sebrae, os valores demonstram a relevância econômica dos pequenos negócios para a cidade.

Conforme o consultor do Sebrae, Tiago Cunha, na prática, essa movimentação financeira ocorre de forma descentralizada, passando por diversas cadeias produtivas e garantindo o sustento de muitas famílias. “O pequeno empreendedor movimenta o comércio, consome serviços, compra insumos e gera uma renda que circula dentro do próprio município, ajudando a reduzir a informalidade e a preservar a vocação econômica histórica da cidade”, acrescenta Cunha.

O levantamento também aponta que, em seis anos o número de pequenos negócios cresceu 72,3%, com uma média de 827 novos MEIs por ano. Somente neste ano, foram 1.303 empresas abertas e 569 fechadas, resultando em um saldo de 734 empresas. A taxa de mortalidade empresarial registrada é de 57,4%, enquanto o tempo médio de vida das empresas ativas é de 3,7 anos.

Os grandes grupos da economia são puxados pelo setor de prestação de serviços, que concentra a maior fatia dos pequenos negócios locais, representando 46,1% das empresas. Em seguida, aparecem o comércio, com 22%, a indústria, com 20,8%, e a construção civil, com 10,8%. “Os dados mostram uma economia diversificada, mas ainda profundamente conectada à tradição industrial do município, especialmente ao setor da confecção”, analisa.

Em relação a atividades específicas, a moda e confecção desponta como o nicho com o maior número de empresas ativas em Apucarana, com 2.152 negócios, sendo que 177 delas foram abertas somente neste ano. Na sequência aparecem casa e construção com 1.153 empresas ativas, seguido por saúde e bem-estar, com 983, logística, com 940, alimentação, com 749, e setor automobilístico, com 457.

Outros segmentos relevantes incluem agroindústria, turismo e eventos, metalmecânica, pets e serviços veterinários, madeira e móveis, cultura, esportes e lazer, e mídia e entretenimento.

“Os números demonstram que Apucarana mantém sua forte vocação ligada ao setor da confecção, mas também vive um crescimento importante das atividades de serviços, beleza, logística e comércio”, analisa.

Perfil do empreendedor apucaranense

O levantamento aponta que a média de idade dos microempreendedores locais é de 41 anos e aproximadamente 69,2% estão na faixa entre 30 e 59 anos, enquanto 22% possuem até 29 anos e 8,8% possuem mais de 60 anos. Atualmente, são mais de 2,1 mil jovens empreendedores com até 29 anos. A composição por gênero é equilibrada: 52,8% dos empresários são homens e 47,2% são mulheres. Apucarana também registra a presença de 35 empresários estrangeiros, demonstrando diversidade econômica e ampliação das conexões empresariais locais.

“Os dados da Receita Federal demonstram que Apucarana possui um ambiente empreendedor forte, dinâmico e fortemente sustentado pelos pequenos negócios. Ao mesmo tempo, os números também mostram desafios relacionados à sustentabilidade empresarial, gestão, inovação e permanência dos negócios no mercado. Mais do que representar formalização, os MEIs e pequenos negócios são hoje uma das principais forças de circulação de renda, geração de trabalho e desenvolvimento econômico de Apucarana", analisa Tiago Cunha.

Empreendedora inova e transforma van em loja móvel de roupas infantis

Entre os milhares de MEIs de Apucarana, está Lucineia de Freitas Rodrigues, 47 anos. Há seis anos, ela tirou do papel o sonho de empreender no comércio varejista de roupas infantis. A ideia de abrir uma loja física bateu de frente com a pandemia, mas ela não pensou em desistir. Comprou uma van e transformou o veículo em uma loja móvel. “Pesquisei muito até que encontrei uma reportagem de uma pessoa que tinha uma loja móvel de moda fitness. Pensei: por que não uma loja móvel infantil?”, recorda.

A formalização como MEI veio no primeiro dia em que decidiu empreender. “Eu não queria trabalhar na informalidade. Para mim, ter o MEI é ter portas se abrindo a todo momento”, destaca. O negócio hoje é sua principal fonte de renda e, segundo ela, a maior vantagem é fazer o próprio horário, mas os desafios locais batem à porta. “A concorrência da internet e de importados mexeu com o comércio, e muitas empresas sentem isso”, pontua.