Os vinte e sete municípios da região – 26 integrantes do Vale do Ivaí e Arapongas –somam 452.708 mil habitantes. Segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são 25.035 moradores a mais em relação ao último Censo, em 2010, um crescimento de 6% no período.
Apucarana se mantém como o município mais populoso da região, totalizando 130.134 habitantes. Nos últimos 12 anos, segundo o IBGE, a população do município ganhou 9.215 habitantes, um aumento de 7,6%.
Segundo município em habitantes, Arapongas registrou o maior crescimento da população em números absolutos na região. Entre um censo e outro foram registrados 14.988 moradores a mais.
Percentualmente, entretanto, Cambira é que atingiu maior crescimento populacional. São 9.460 moradores, 2.224 a mais que o registrado em 2010 o que representa um aumento de 30,7%.
Para o prefeito, Emerson Toledo Pires (MDB), o dado é muito positivo. Segundo ele, Cambira está localizada em um eixo privilegiado entre Londrina e Maringá, com rodovias duplicadas, o que impulsiona o crescimento.
“Os investimentos dos últimos anos e os serviços prestados pela administração elevaram a qualidade de vida na cidade e isso faz a diferença para que as pessoas venham procurar nosso município para morar”.
A expectativa do prefeito, entretanto, era que o Censo Demográfico de 2022 atingisse no mínimo 10.189 habitantes para garantir aumento no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) de 0.6 para 0.8, assim a cidade passaria a receber um volume maior de recursos.
“Vamos buscar informação junto ao IBGE sobre as casas não habitadas. Tivemos uma reunião com o presidente nacional do IBGE ele garantiu que vai atender esse questionamento. E eu acredito sim que Cambira ultrapassou 10 mil habitantes”, disse o prefeito.
Apesar da média geral da região ter registrado aumento no número de moradores, dos 27 municípios da região, em 14 houve redução da população. (COM REPORTAGEM FERNANDO KLEIN, EDISON COSTA E CINDY SANTOS)
Estimativa apontava números maiores
Os números do Censo também apontaram uma quantidade menor de moradores em relação a última estimativa da população, realizada em 2021 pelo pelo próprio IBGE. A projeção apontava a existência de 463.274 moradores na região. Apucarana, por exemplo, tinha uma estimativa de 137.438 pessoas em 2021. Agora, os dados mostram que há 130.134 habitantes. O mesmo pode ser observado em Arapongas, onde a projeção era de 126.545 e o Censo apontou 119.138.O coordenador do IBGE em Apucarana, Rafael de Castro Francisquini, afirma que os números são menores, em alguns casos, às projeções de 2021 justamente porque os dados eram estimativas. Ele cita o exemplo de Apucarana em que os dados consolidados do censo apontam para uma diferença de mais de 7 mil habitantes em relação à estimativa de 2021.“Não é que em Apucarana caiu (o número de habitantes). A estimativa é que estava superestimada, isso porque desde 2010 o IBGE vinha atualizando a população através de projeções. Isso (divergência com as estimativas) aconteceu no país, no Paraná e em quase todas as cidades”, assinala.Além de Apucarana e Arapongas, os municípios de Mauá da Serra, São Pedro do Ivaí, Rio Branco do Ivaí, Marilândia do Sul, Faxinal, Cruzmaltina e Bom Sucesso tiveram reduções na comparação com as estimativas.São Pedro do Ivaí já havia pedido recontagem
São Pedro do Ivaí é o município que mais perdeu habitantes na região. Do Censo de 2010 para 2022, a queda foi de 14,5%. Em relação à estimativa de 2021, o município passou de 11.109 para 8.690 habitantes, uma diferença de 2.419 moradores.A prefeita de São Pedro do Ivaí, Maria Regina Della Rosa Magri, afirma que já havia solicitado ao IBGE a recontagem da população ainda na apresentação prévia dos dados, em que o município constava com 8.639 habitantes, número, segundo ela, incompatível com os serviços prestados. Um levantamento realizado pela prefeitura apontou um número de 548 famílias que afirmam que não receberam visita de um recenseador perfazendo um total de 1.657 habitantes. “Somando-se os 8.639 habitantes apresentados pelo IBGE mais o total de 1.647 habitantes que afirmam que não receberam a visita de um recenseador, teríamos então uma população de 10.293 habitantes, que condiz com os números relativos aos cadastros do SUS, como vacinas e demais serviços que são prestados pela administração aos munícipes”, afirma a prefeita destacando que todos os documentos relativos ao levantamento realizado foram encaminhados ao IBGE e ‘causa surpresa que o órgão tenha feito um acréscimo de tão somente de 51 habitantes’. Segundo Maria Regina, o município vai buscar judicialmente a recontagem dos dados.
Prefeituras afetadas por queda do FPM vão recorrer
A divulgação do Censo 2022 era muito aguardada pelas prefeituras, porque o resultado é utilizado como base de cálculo para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que representa a maior fatia da arrecadação dos municípios.Nos municípios onde houve mudança de coeficiente, os prefeitos se preparam para contestar os dados. Em Faxinal, por exemplo, a Prefeitura vai deixar de receber de FPM em torno de R$ 4 milhões por ano. O município tinha 17.37 habitantes na estimativa de 2010 e o Censo 2022 apontou 16.389. Com esse resultado, Faxinal vai perder duas cotas no coeficiente do FPM. De acordo com o secretário municipal de Governo, Francisco Ferreira, o Ral, a mudança representa uma queda muito grande na arrecadação que mexe com todos os setores da administração municipal.“O prefeito Ylson Álvaro Cantagallo (PSD) não concorda com esses números e já mobilizou sua assessoria jurídica para contestar esse resultado via judicial. Ao mesmo tempo, ele espera que o Tribunal de Contas da União (TCU) não derrube liminar coletiva conseguida pelas prefeituras de todo o País junto com a Confederação Nacional de Municípios (CNM), que garante a manutenção do mesmo coeficiente pelo menos até 31 de dezembro deste ano para quem perde população”, comenta.Em Mauá da Serra, o prefeito Hermes Wicthoff (PSD) avisou que já está entrando na Justiça para contestar os números finais do Censo. Da população estimada de 10.994 em 2021, o município passou para 9.393 em 2022. “Se a Prefeitura não tivesse computado várias famílias que estavam de fora do Censo e não enviasse ao IBGE, nem esse número teria sido alcançado”, afirma. Mauá da Serra muda de 0.8 para 0.6 no coeficiente do FPM, devendo ter uma perda anual de R$ 4,1 milhões na sua arrecadação.
Paraná ultrapassa RS e se torna estado mais populoso do Sul
Os primeiros resultados consolidados do Censo Demográfico de 2022 apontam que o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul em número de habitantes. Em 12 anos, o Estado ganhou praticamente um milhão de novos residentes, passando de 10.444.526 no Censo de 2010 para 11.443.208 pessoas no estudo mais recente.
O crescimento da população paranaense foi de 9,56% no período, maior do que o aumento em termos nacionais, que foi de 6,5%, o equivalente a 12,3 milhões de novos brasileiros. Com isso, o Estado passa a ser oficialmente o 5º mais populoso do País e o primeiro da região Sul, à frente do Rio Grande do Sul (que passou de 10.693.923 para 10.880.506 habitantes) e de Santa Catarina (de 6.248.436 para 7.609.601 habitantes).
As informações do órgão federal confirmam os cálculos elaborados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) feito a partir de projeções do próprio IBGE.
“O Paraná como o estado mais populoso da região Sul já era apontado por estimativas realizadas anteriormente. De 2010 a 2022, 21% dos municípios paranaenses apresentaram taxa média geométrica de crescimento anual superior a 1%, acima do percentual de 10% observado no Rio Grande do Sul, que registrou a maior população da Região no Censo de 2010”, afirma Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes.
O município mais populoso do Paraná é Curitiba, com 1.773.733 habitantes, um aumento de 1,2% em relação ao Censo 2010.