As questões de segurança nas travessias de trens nos municípios do Paraná foram discutidas ontem em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa após convocação da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicação.
O crescente número de acidentes urbanos envolvendo passagens de trens, como o ocorrido em Jandaia do Sul que matou quatro alunos e uma funcionária da APAE em março deste ano, motivou a apresentação de dois projetos de lei na Assembleia Legislativa para obrigar a instalação de cancelas em todas as passagens de nível. Uma das propostas trata ainda de outros tipos de sinalização horizontal e vertical.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Tiago Amaral (PSD), afirmou que “a audiência tem o propósito de compreender qual a lógica do sistema ferroviário”. “Esta reunião se mostrou extremamente necessária, pois estávamos no escuro, sem saber a quem cobrar e cobrar o quê, com relação a estes acontecimentos que temos visto e não queremos mais que isso ocorra. Hoje aqui foram apresentados dificuldades, problemas e soluções já em andamento, podemos conhecer melhor os cenários”, avaliou.
O coordenador-geral de Obras Ferroviárias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Jean Carlo Trevizolo de Souza, afirmou que nem sempre as cancelas são a melhor medida. “Até porque existe a possibilidade de falharem. Não é possível generalizar uma solução para todos os casos”, destaca.
Mesma opinião tem a coordenadora de Fiscalização da Superintendência de Transporte Ferroviário da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Rafaela Gomes de Souza Silva. “Não existe sistema infalível. É um pouco mais complexo, porém a única coisa que se aplica a todas as situações é educação para o trânsito de toda população, por isso um forte trabalho junto às escolas de formação de condutores”, afirmou.
Além dos presidentes das duas Comissões, deputado Tiago Amaral (PSD) e Gugu Bueno (PSD), participaram da audiência a deputada Márcia Huçulak (PSD) e os deputados Do Carmo (União Brasil), Batatinha (MDB), Pedro Paulo Bazana (PSD) e Hussein Bakri (PSD), bem como representantes da Polícia Civil, da concessionária Rumo Logística, Ferroeste, Associação nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) e o prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre (PSC), acompanhado do secretário de Segurança Pública e Trânsito do município, Paulo Argati.
ARAPONGAS
Durante a audiência, foram expostas soluções já em implantação, incluindo um vídeo da Prefeitura de Arapongas que mostra o sistema de passagens em nível sensoreadas já em funcionamento desde maio deste ano.
O sistema foi implantado em parceria com a concessionária Rumo em duas travessias no município de Arapongas, zerando o índice de acidentes nos trechos. “Mais uma vez Arapongas é referência, o que nos deixa satisfeitos em poder colaborar com a segurança de outras cidades”, afirmou Argati.
Inquérito sobre o acidente ainda não foi concluído
Mais de 100 dias após o acidente envolvendo um ônibus da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e um trem da concessionária Rumo em Jandaia do Sul, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) ainda não concluiu o inquérito que investiga as causas da tragédia. A colisão provocou cinco mortes e deixou 23 pessoas feridas em 9 de março deste ano. Quatro das vítimas eram estudantes e a outra funcionária da Apae.“A PCPR aguarda laudos complementares que auxiliarão na conclusão do inquérito policial”, informou a Polícia Civil ontem, acrescentando que são “laudos periciais das vítimas do ônibus e do trem”.No dia do acidente, a Polícia Civil ouviu o motorista do ônibus, um homem de 43 anos, que alegou não ter ouvido a buzina de alerta do trem e tampouco ter visualizado a composição férrea se aproximar por causa do mato alto. A investigação já apontou que o motorista estava com a CNH vencida. O micro-ônibus envolvido também estava com vistoria vencida junto ao Detran.