Por unanimidade, a Câmara de Vereadores de Apucarana rejeitou ontem pedido de instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito visando cassação do mandato do vereador Lucas Leugi (PSD) por quebra de decoro parlamentar. Por 10 votos a zero - por motivo regimental, o denunciado não participa da votação -, os vereadores não acataram a proposição baseada em uma denúncia protocolada por um morador.
O autor do pedido de cassação é o cidadão identificado como Wilson Bovo Ferreira, que acusa o parlamentar de utilizar ferramentas de inteligência artificial para manipular um vídeo institucional da Prefeitura. Segundo documento apresentado ao Legislativo e lido ontem antes da votação, a acusação se baseia em um video veículado nas redes sociais do vereador envolvendo a prática conhecida como “deepfake” — técnica de manipulação digital avançada.
O alvo da adulteração teria sido um material audiovisual veiculado pelo prefeito Rodolfo Mota (União Brasil) e pelo deputado Delegado Jacovós (PL), que abordava a redução da dívida pública do município. O episódio já havia gerado desdobramentos na esfera judicial, incluindo a remoção do conteúdo.
Alvo da denúncia, o vereador Lucas Leugi argumentou que banalizar a conduta de um instrumento de cassação coloca em risco à democracia. Ele também argumentou que acredita estar sendo alvo de uma ação orquestrada por um pool de empresas envolvidas em processos de licitação junto a Prefeitura de Apucarana que vêm sendo fiscalizadas em suas ações parlamentares. “Esse sujeito (denunciante) é réu de crimes de licitação, justamente crimes que eu combato, em Ribeirão do Pinhal e Rolândia e é operador do empresário que está por trás de várias empresas envolvidas em licitações, com vários CNPJs diferentes”, afirmou o vereador. “Eu inclusive vou pedir a abertura de uma CPI para para investigar contratos de licitação. Esse pessoal atua há algum tempo em Apucarana e não apenas neste mandato”, afirmou.
A tentativa de cerceamento do mandato parlamentar foi citada também por outros vereadores. “São denúncias vazias e a gente sabe que quebra de decoro é um ato político e, em respeito ao poder legislativo e ao voto popular, me manifesto contrariamente a esse pedido”, justificou o vereador Tiago Cordeiro.
O presidente da Câmara, Danylo Acioli, também criticou o que ele classificou como uma afronta a democracia. “A partir do momento que recebemos uma denúncia baseada em um video que está dentro das ‘quatro linhas’ do que se espera da oposição, seria a total decrepitude do legislativo darmos espaço para isso. Nós não banalizamos o mandato de ninguém e não vamos aceitar esse tipo de ataque. Nós não somos circo”, comentou.
A sessão de ontem foi realizada no Colégio Estadual Nilo Cairo, dentro do programa Câmara Itinerante. Na sequência da votação, os vereadores fizeram um breve intervalo antes de se ater ao restante da pauta do dia.
A sessão de ontem foi realizada no Colégio Estadual Nilo Cairo, dentro do programa Câmara Itinerante. Na sequência da votação, os vereadores fizeram um breve intervalo antes de se ater ao restante da pauta do dia.