Oprefeito de Arapongas, Sergio Onofre da Silva (PSC), convocou entrevista coletiva nesta terça-feira para criticar a emenda aprovada na Câmara, na sessão desta segunda-feira, que aumenta de 15 para 17 o número de vereadores no Legislativo a partir de 2025. Ele também criticou a proposta de reajuste dos subsídios dos vereadores, que chega a 25% no próximo mandato. A remuneração passa de R$ 11,4 mil para R$ 14,3 mil.
“Eu acho desnecessário ter 17 vereadores. Arapongas não precisa. Com 15 vereadores, a cidade está muito bem representada”, disse. Segundo ele, o aumento de vagas vai representar um gasto extra de mais de R$ 2 milhões por ano.
“O custo não é só salário do vereador. Cada vereador tem direito a dois assessores. Além disso, a Câmara foi construída para ter 15 vereadores. Vão precisar construir mais dois gabinetes”, afirmou.
Segundo ele, os vereadores não pensaram na situação financeira do município e na opinião dos eleitores. Onofre assinala que as prefeituras estão com queda na arrecadação, principalmente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de aumento de gastos com pisos salariais e outras despesas.
“Eu acredito que a Câmara nossa fez uma grande besteira e os vereadores ainda apresentaram projeto para aumento de salário, que é gradativo, ocorrendo a cada ano. É uma coisa que nunca tinha visto na Câmara. Fui presidente da Câmara por oito anos, ou seja, em quatro mandatos, e não tinha visto isso na história do município”, afirmou o prefeito
Onofre disse que a opinião popular é contra o aumento de cadeiras no Legislativo. Ele afirmou ainda que “está triste”, lembrando que 13 vereadores são da base. Ele criticou também a falta de debate do tema, ironizando a agilidade na votação. “Eles demoraram 33 segundos para aprovar a emenda de aumento do número de vereadores em Arapongas”, criticou.
O prefeito lembra que vereador precisa representar a vontade popular. “Tem um discurso que eles (vereadores) falaram que as entidades de classe não se manifestaram (contra aumento do número de vereadores). As entidades foram enganadas, porque eles (vereadores) disseram que estavam mudando o Regimento Interno da Casa e não que estavam aumentando o número de vereadores”, observou, afirmando que as entidades de Arapongas são contra o aumento de vagas.
Em relação ao reajuste salarial, Onofre disse esperar que os vereadores voltem atrás. O projeto foi apresentado nesta segunda-feira (7) e deve ser votado a partir da semana que vem.
Quanto à emenda, a Câmara votará o projeto em segundo turno dentro do intervalo regimental de 10 dias. Na primeira votação, a matéria passou por 13 votos a 1. “Eu acredito que, se tiverem juízo, eles retiram o projeto”, disse.
O vereador Márcio Nickenig (PSD), presidente da Câmara, foi procurado para comentar as declarações do prefeito, mas disse que não poderia falar no momento. (COLABOROU CINDY SANTOS)
Sima não vê necessidade de mais cadeiras na Câmara
O Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) pretende oficializar uma posição contrária à proposta em votação na Câmara que aumenta de 15 para 17 o número de vereadores no município. A emenda que prevê o aumento de cadeiras no Legislativo foi aprovada em primeiro turno nesta segunda-feira, em sessão ordinária.
O presidente do Sima, José Lopes Aquino, afirma que uma enquete vem sendo realizada com os associados e até o momento 96% se manifestaram contrários à proposta.
“A gente entende que 15 vereadores já representam adequadamente toda a sociedade araponguense”, afirma Aquino. Ele classifica como “inoportuna” a proposta de aumento de vagas, levando em conta as dificuldades econômicas do País.
“É desnecessária a elevação para 17 vereadores, até porque existe também uma elevação de custos”, diz.
Em relação ao reajuste salarial, ele afirma que o assunto ainda será debatido. Em um primeiro momento, Aquino afirma que uma pequena correção é justa, mas também vê exagero no percentual proposto, que chega a 25% no primeiro ano da próxima Legislatura.