O Senado aprovou nesta terça-feira dois indicados do governo Lula para diretorias do Banco Central pelos próximos quatro anos:
Por 39 votos a 12, o economista Gabriel Galípolo, exercerá o cargo de diretor de Política Monetária. Houve uma abstenção. Por 42 a 10, o auditor-chefe Ailton Aquino será o novo diretor de Fiscalização do órgão. Houve uma abstenção.
Ainda nesta terça-feira, Galípolo e Ailton Aquino foram sabatinados e aprovados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
As análises das indicações de Galípolo e de Ailton ocorreram em meio a fortes críticas de Lula e integrantes do governo ao presidente da instituição, o economista Roberto Campos Neto, e à taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do BC.
No entendimento do governo, a Selic no patamar atual, de 13,75% ao ano, inibe investimentos e prejudica o crescimento da economia.
Além de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e diversos ministros, entre os quais Fernando Haddad (Fazenda) e Carlos Fávaro (Agricultura), têm feito essas críticas à taxa de juros. Um corte na Selic é esperado em agosto.
O mandato do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, termina no fim de 2024. O nome de Galípolo é cotado para substituí-lo.
Ex-secretário do Ministério da Fazenda Gabriel Galípolo afirmou, durante a sabatina na CAE, que não cabe a um economista “impor o que ele entende ser o destino econômico” de um país, sem considerar a “vontade democrática” da classe política eleita pelo povo.
“Não cabe a nenhum economista, por mais excelência que ele tenha, impor o que ele entende ser o destino econômico do país à revelia da vontade democrática e de seus representantes eleitos”, afirmou Galípolo à CAE.
“Talvez seja preciso se entender que é óbvio que é o poder eleito democraticamente, a vontade das urnas, que determina qual é o destino econômico da nossa sociedade”, frisou o indicado.
Questionado sobre a autonomia do Banco Central, aprovada pelo Congresso, Galípolo afirmou que não é dever de diretores da instituição opinar sobre a medida, mas apenas acatar a legislação. (DAS AGÊNCIAS)