OPINIÃO

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​ Abandono do ensino médio reflete crise da educação

Da redação

| Edição de 01 de março de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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E inegável que o Brasil registra muitos avanços na área de educação, notadamente no ensino infantil - hoje obrigatório a partir dos 4 anos - e fundamental. Também é inegável que o ponto sensível do setor está no ensino médio.
Na área do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana, dos 11,5 mil alunos que cursavam um dos três anos do período, 1.250 abandonaram a escola, totalizando um índice de 10,9%. Outros 1.166 - segundo dados preliminares - não conseguiram ser aprovados, o que eleva a taxa de reprovação para 10,1%. Ou seja, de cada 10 alunos que iniciaram o ano letivo de 2017, pelo menos dois não tiveram sucesso.
A falta de eficiência do ensino médio em manter seus alunos não é problema local. Um estudo divulgado no ano passado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que 41% dos estudantes que ingressam no ensino médio abandonam a escola após cinco anos sem se formar. 
O índice é quase o dobro dos outros 17 países onde a pesquisa é realizada. O relatório analisou dados de países com realidades distantes do Brasil, como Finlândia e Noruega, assim como nações mais semelhantes como Chile.
Educadores e especialistas apontam o alto índice de repetência, a falta de atratividade da grade curricular e as questões sociais e a necessidade de ingresso no mercado de trabalho como fatores que tiram os adolescentes da escola. 
A pesquisa também observou o índice de conclusão do ensino médio no tempo esperado de três anos. Segundo o estudo, no Brasil, apenas metade dos estudantes que ingressam na etapa conseguem concluí-la no tempo certo. Nos demais países analisados, o percentual médio é de 68%. 
A ineficiência do ensino médio implica em graves problemas para o país. O baixo índice de escolaridade se traduz em trabalhadores pouco qualificados, que precisam voltar, na idade adulta, aos bancos escolares. Retornar para escola não apenas atrasa o desenvolvimento pessoal dos envolvidos como amplia os gastos públicos com educação.
Espera-se que a polêmica, e até agora inócua, reforma do ensino médio, que gerou discussões e ocupações de escolas, mude de alguma maneira esse quadro lamentável da educação. Estimular o jovem a concluir o ensino médio é fundamental inclusive para a economia do país.