Em 2018, até o momento, 82 mil motoristas do Estado tiveram o direito de dirigir suspenso. Os números já são maiores que o total de suspensões de Carteiras Nacionais e Habilitação (CNHs) no ano passado, quando 77,1 mil documentos foram suspensos. Os dados são do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), que mostram que na região a situação não é diferente.
De janeiro a agosto deste ano, o número cassações do documento cresceu 67% nos três maiores municípios da região. Foram penalizados 1.122 motoristas em Apucarana, Arapongas e Ivaiporã contra 671 no mesmo período do ano passado.
Os três municípios registraram crescimento, mas chama atenção a evolução dos números em Apucarana. Neste ano foram 567 suspensões registradas, mais que o dobro das 261 do ano passado.
Especialistas de trânsito apontam dois fatores para explicar o aumento, de um lado o aprimoramento da fiscalização e de outro, a imprudência dos motoristas.
Em Apucarana, a nova política de atuação ostensiva da Polícia Militar, que vem dando ênfase para operações quase que diárias e blitz em diferentes pontos da cidade tem grande influência no resultado.
A evolução dos números, infelizmente, é mais um retrato de um trânsito doente e pouco seguro para motoristas e pedestres. A saber, a suspensão do direito de dirigir ocorre em duas hipóteses: quando se soma 20 pontos resultantes de multas em um ano ou quando a falta cometida pelo motorista é considerada grave a ponto de ensejar na suspensão imediata da CNH. Dirigir alcoolizado, furar bloqueios policiais, participar de rachas e não prestar socorro a vítimas em acidentes são algumas das causas previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro.
Após a suspensão, o motorista precisa passar por um curso de reciclagem para poder dirigir novamente. O objetivo do curso, obviamente, é corrigir falhas e principalmente tentar incutir novos comportamentos mais conscientes no motorista penalizado.
Como mostram os números, cada vez que a autoridade de trânsito opta por mais ênfase na fiscalização, as multas e infrações se multiplicam, mesmo com a legislação cada vez mais dura e o valor da multa cada vez mais alto. Por outro lado, quando a fiscalização é falha ou não existe, o que disparam são os números de acidentes. O fato é que uma parte significativa dos motoristas só respeita as regras por medo da multa.
Mudar paradigmas de trânsito e formar um motorista melhor é um desafio que exige uma reflexão a respeito não apenas do trânsito, mas dos valores da sociedade. Conscientizar e educar é fundamental neste ponto.