Arapongas está dando um passo adiante no combate à violência doméstica. Em parceria com o Poder Judiciário, a Prefeitura lançou na última sexta-feira o Programa de Reabilitação para Autores de Violência Doméstica e Familiar (Projeto Siga). É uma proposta ousada - e polêmica - que visa romper o ciclo da violência, ao trabalhar com a prevenção e também para evitar casos de reincidência.
Esse trabalho visa complementar a atuação da Patrulha Maria da Penha, implantada em maio de 2016 em Arapongas e que vem obtendo resultados favoráveis na repressão desse crime. Tanto é que o número casos caiu 70% na cidade no primeiro semestre de 2017 na comparação com o mesmo período do ano passado.
A terapia para homens agressores está prevista na Lei Maria da Penha, mas poucos municípios do Brasil implantaram essas iniciativas. Até o final de 2016, por exemplo, o País contava com apenas 19 projetos do tipo. É muito pouco.
Basicamente, o objetivo do Projeto Siga é evitar que esses homens violentos voltem a atacar mulheres. A meta é realmente recuperar esses agressores, formando uma consciência de respeito às mulheres, mudando o comportamento dessas pessoas. É um projeto ousado, porque é sabido que a opressão e a violência também são problemas culturais. O machismo, infelizmente, está arraigado na sociedade, o que explica esse número absurdo de abusos e agressões contra as mulheres, sem contar as diferenças nas relações de trabalho e no ambiente social.
Arapongas merece ser destacada nesse contexto. A Patrulha Maria da Penha é modelo, pois trouxe um grande avanço no atendimento à vítima. Agora, o foco é no agressor. Segundo as integrantes da Patrulha, a maioria dos homens violentos não se vê dessa forma. Assim, esse trabalho de reabilitação pode trazer resultados importantes para romper esse ciclo de violência.
O projeto contará com apoio do Judiciário, que irá encaminhar o agressor para uma triagem. A partir da análise do quadro, haverá um direcionamento de atendimento.
O diferencial nesse projeto é a recuperação. Os agressores continuarão respondendo criminalmente, mas terão a oportunidade de reabilitação. Certamente, essa iniciativa, em longo prazo, ajudará a diminuir a violência e aumentará a segurança dessas mulheres que sofrem com companheiros e familiares violentos.