OPINIÃO

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​ Piada de português

Por Thiago Zardo, poeta e escritor de Apucarana

| Edição de 06 de janeiro de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O brasileiro adora contar piadas de português, principalmente aquelas em que os portugueses são citados como ingenuamente desatentos e intelectualmente inferiores. E isto é uma tradição que nos acompanha desde os tempos do Brasil colônia, onde os portugueses daqui arrumavam uma forma de menosprezar os portugueses de lá e os de lá tiravam sarros dos daqui. Mais ou menos o que acontece entre o Brasil e a Argentina, em que nós somos os asnos deles e eles são nossos burros nas anedotas. É uma questão de rivalidade. 

Mas o que me impressiona de verdade não é essa rivalidade que aflora no humor e sim o que pensaram alguns dos personagens estrangeiros mais famosos sobre o Brasil. por exemplo: ''Os brasileiros possuem somente uma pequena quantia daquelas qualidades que dão dignidade à humanidade''. Esta foi a frase dita pelo cientista Charles Darwin depois de conhecer o Brasil, enquanto viajava pelo mundo a bordo de seu navio Beagle durante quase cinco anos, obtendo e recolhendo dados que serviriam mais tarde como base para escrever um dos livros mais importantes da história da ciência e da humanidade: “A Origem das Espécies”. 
“Um novo mundo, refúgio e amparo dos desesperados, abrigo dos falidos, salvo conduto dos homicidas, abrigo e proteção dos jogadores, chamariz de mulheres perdidas, engano comum de muitos e remédio particular de poucos”. Esta frase sobre o novo mundo foi atribuída a Miguel de Cervantes, o autor da obra-prima “Dom Quixote” e que, segundo algumas fontes, é o livro mais lido e vendido no mundo depois da Bíblia.
“O Brasil é o país da indiferença e da exaltação”, esta foi a visão que teve o escritor francês e prêmio Nobel de literatura Albert Camus. Outro francês, o político e estadista Charles de Gaulle preferiu definir assim: “O Brasil não é um país sério”. E as citações francesas não param por ai. O botânico e naturalista Auguste de Saint-Hilaire, um dos primeiros exploradores a visitarem o Brasil colônia, durante os anos de 1816 a 1822, resumiu sua visita com esta frase: “havia um país chamado Brasil, mas absolutamente não havia brasileiros”.
Infelizmente, enquanto o povo brasileiro não se enxergar como uma das nações mais promissoras do planeta e continuar agindo como os eternos explorados ingenuamente desatentos e intelectualmente inferiores, enquanto continuar se vendendo a troco de migalhas e esmolas, principalmente nas eleições, o sistema de multiplicação da fome e da pobreza se perpetuará ad aeternum e nosso país será apenas a eterna promessa do futuro, “Brasil, país do futuro” como relatou em seu livro o escritor austríaco Stefan Zweig, frase que acabou se tornando um epíteto nacional. Mas que futuro é esse que não chega nunca?
Infelizmente, enquanto o Brasil continuar a nomear para o ministério do trabalho gente que nem respeita as leis trabalhistas, ou votando como quem faz uma aposta no jogo do bicho e o Congresso continuar legislando em causa própria, nosso país continuará sendo eternamente o país da promessa, da chacota, da piada pronta. E infelizmente continuará sendo por muito tempo ainda a melhor piada de português