As erosões são um problema histórico em Arapongas e viraram um desafio milionário para a administração municipal. Localizado em uma região de várias nascentes, o município se desenvolveu rápido e sem o planejamento necessário em termos de drenagem e saneamento.
O resultado foi o surgimento de vários pontos de erosão que se tornaram catastróficos após as chuvas de janeiro de 2016. O excesso de chuvas agravou o processo erosivo, tornando o problema visível e crateras se abriram ou ampliaram consideravelmente de tamanho em diversos bairros da cidade.
Um estudo da Secretaria Municipal de Obras, Transportes e Desenvolvimento (Seodur) de Arapongas mapeou seis grandes áreas de erosão. Entre os pontos considerados mais críticos estão a área atrás do Clube Campestre, que teve parte da estrutura comprometida pela erosão; outra nos fundos do Jardim San Raphael e uma terceira no final da Rua Formigueira-da-Serra, na região do Conjunto Palmares, onde a cratera ameaça chegar nas casas.
Para conter a erosão nesses pontos, serão necessários, segundo estudo da Prefeitura, cerca de R$ 13 milhões. Nesta semana, o município garantiu pelo menos parte deste recurso: R$ 3,7 milhões do Ministério da Integração Nacional. Parte das obras foi assumida pela prefeitura após a cratera do Conjunto Palmares/Jardim San Raphael chegar a uma rua, colocando em risco moradores do entorno.
O problema enfrentado hoje em Arapongas é fruto de uma série de fatores que incluem tanto condições climáticas inesperadas quanto uma grande falta de planejamento e resposta do poder público.
Uma cratera da extensão da vista nos fundos do San Raphael não surge do dia para noite. De modo geral, o processo erosivo está associado ao mau gerenciamento do ambiente, falta de planejamento urbano e a expansão desornada da ocupação o solo. A atual administração destaca que se medidas emergenciais de contenção tivessem sido executadas antes, o problema não estaria do tamanho que está hoje. Apesar de inúmeros problemas, o município sequer tinha um projeto para enfrentar o problema e, por conseguinte, buscar recursos.
Contudo, a falta de resposta não é apenas do poder municipal. As chuvas de 2016 não causaram prejuízos só em Arapongas, mas em vários municípios - na época, 25 declararam estado de calamidade pública. Dois anos depois, entretanto, pouco recurso federal foi enviado aos municípios atingidos. Nesta semana, a prefeitura de Arapongas liberou o tráfego da ponte do Ribeirão Lajeado, levada pelas chuvas de 2016. A obra foi feita com recursos do município e da cidade vizinha de Sabáudia. Como se vê, há um longo caminho a se percorrer para agilizar as respostas aos desastres naturais.
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