Criada há 11 anos, a Lei Maria da Penha ajudou milhares de mulheres brasileiras a enfrentar e coibir a violência doméstica. A legislação garante amparo às vítimas dessas agressões, que não são apenas físicas, mas também de ordem moral, psicológica, sexual e patrimonial. No entanto, o problema ainda é imenso no Brasil e reflete uma cultura de machismo que precisa ser combatida diariamente. É necessário mudar urgentemente essa mentalidade opressora que ainda predomina, colocando equivocadamente os homens em posição de superioridade.
Em Apucarana, o Centro de Apoio à Mulher (CAM) realiza um importante trabalho de acompanhamento às vítimas de agressões. Apenas no primeiro semestre deste ano, quase 1,5 mil vítimas de algum tipo de violência doméstica foram atendidas pelo Cisam.
O trabalho de apoio às mulheres prevê serviços de assistência nas áreas psicológica, social e jurídica. Foram realizados, só nos primeiros seis meses deste ano, 1.749 atendimentos, sendo 844 atendimentos jurídicos, 532 psicológicos e 374 sociais.
A Lei Maria da Penha fez a sociedade refletir sobre a questão de gênero. A conscientização avançou inegavelmente. O movimento feminista também se fortaleceu, denunciando não apenas a violência doméstica, mas também o preconceito contra as mulheres nas relações de trabalho e em outros segmentos sociais.
Os desafios, no entanto, ainda são imensos. O Brasil é o quinto país mais violento com mulheres. A cada dois segundos uma mulher sofre violência. Companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos, conhecidos ou vizinhos foram os responsáveis por 68% dos casos de violência física, 65% da violência psicológica e 38% da violência sexual sofrida por mulheres no estado do Rio de Janeiro em 2016, segundo a 12ª edição do Dossiê Mulher, lançada na terça-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do estado. Esse levantamento comprova que as mulheres, na maioria dos casos, são vítimas dentro da própria casa. Ou seja, ao contrário do senso comum, que aponta a rua como lugar perigoso, é no ambiente doméstico que está o maior risco.
Por isso, esse assunto precisa fazer parte da rotina da população diariamente. As informações sobre o tema devem ser disseminadas para que a sociedade se conscientize do problema. É preciso conhecer as diversas formas de violência presentes na vida das mulheres e também promover a Lei Maria da Penha. Com isso, mais denúncias serão feitas e mais agressores serão punidos. Além disso, é preciso conscientizar as futuras gerações, formando pessoas que respeitem as diferenças de gênero. É preciso parar com essa violência que assombra milhares e milhares de mulheres diariamente no Brasil.